Delator da Operação Lava Jato é preso por lavagem em tráfico internacional

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Na manhã desta terça feira, dia 15 de maio, a Polícia Federal colocou em ação a Operação Efeito Dominó, onde Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, foi preso, sob a acusação de lavagem de dinheiro com relação ao tráfico internacional de drogas. Nesta mesma operação outros sete suspeitos foram presos.

Carlos Alexandre é delator da Lava Jato, juntamente com o doleiro Alberto Youssef, onde através de um acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), firmou uma delação premiada, que foi inclusive homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Como o delator foi preso em uma outra operação da PF, cabe ao STF e a PGR a avaliarem quais serão as medidas tomadas para rescindir o acordo homologado.

O Efeito Dominó é uma operação de desdobramento da que foi responsável pela prisão de um dos maiores traficantes da América do Sul, o conhecido Cabeça Branca.

Depoimentos de Carlos Alexandre

Carlos, o conhecido Ceará, teve a sua prisão preventiva decretada em João Pessoa na Paraíba. Ao longo de seus depoimentos na Operação Lava Jato, ele delatou nomes como Aécio Neves (PSDB-MG), Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e também Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele era um dos funcionários de Alberto Youssef e o peso de seus conhecimentos sobre as transações do esquema de corrupção, eram muito importantes para a operação.

Em um de seus depoimentos, Ceará citou que realizou uma viagem para Maceió, onde levou 300 mil reais em notas de 100, para o ex presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL). O depoimento ocorreu em 2014, mas ele só foi homologado no ano seguinte.

Outro nome “forte” citado por Ceará em seus depoimentos, foi o do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ceará citou que a mando de Youssef, havia entregado 300 mil reais para o senador.

Boa parte dos depoimentos de Carlos Alexandre relatam a entrega de valores para políticos.

O que é a Operação Efeito Dominó?

A Operação Efeito Dominó é uma segunda etapa ou continuação da Operação Spectrum, que foi ativada no último ano de 2017. Nesta operação o então conhecido “Cabeça Branca”, Luiz Carlos da Rocha, foi preso pela Polícia Federal em Sorriso no Mato Grosso. Luiz era um dos maiores traficantes de toda a América do Sul.

Nesta primeira etapa da operação, após a aquisição de provas e relatórios, a PF acabou descobrindo uma forte estrutura relacionada ao tráfico internacional de drogas, onde uma das principais atividades realizadas pelos grandes traficantes é com relação à lavagem de dinheiro.

A estratégia da PF é com base na estrutura e informações ligadas aos clientes dos doleiros, inclusive alguns investigados pela Operação Lava Jato. Os doleiros e envolvidos precisam e precisavam de um grande volume em espécie de dinheiro para o pagamento de propinas. Além da moeda nacional, os traficantes também precisavam de moeda estrangeira, principalmente o dólar, para que as transações intercontinentais possam ser realizadas com os fornecedores de cocaína.

Até o momento os crimes investigados pela Operação Efeito Dominó são contra o Sistema Financeiro, lavagem de dinheiro, tráfico internacional e organizações criminosas. São 26 mandados que foram expedidos pela 23ª Vara Federal de Curitiba, onde destes, 3 são de prisão temporária, 5 de prisão preventiva e outros 18 de busca e apreensão.

A Operação Efeito Dominó já teve seus mandados cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

A operação desta terça feira teve mais envolvidos

Segundo a PF, outros doleiros também são investigados no esquema, sendo eles Edmundo Gurgel Junior e José Maria Gomes. Edmundo é investigado pela PF no caso do banco Banestado, já José teve a sua prisão preventiva decretada na cidade do Rio de Janeiro.

Todos os presos da operação são levados para a Polícia Federal de Curitiba, onde prestam os seus depoimentos e auxiliam a PF em novas investigações através do benefício da delação premiada.

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