Enem: Exame deverá ter novo formato em 2020

Saiba o que vai mudar na prova a partir da próxima década

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem sido a porta de entrada de milhares de jovens no Ensino Superior, com provas que chamam a atenção pela criatividade e atualidade dos temas na comparação a outros modelos mais rígidos. No entanto, esse formato deve mudar em 2020: é o que anunciou o Ministro da Educação Rossieli Soares da Silva durante um congresso em São Paulo.

De acordo com o ministro, o Exame deve seguir as orientações da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio, que tem sido debatida em vários setores da sociedade.

O que é a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular foi homologada pelo Ministério da Educação (MEC) no fim de 2017 visando determinar os conteúdos para o ensino infantil, fundamental e ensino médio. Mas, até a homologação ser realizada, houve muitos pontos polêmicos que inflamaram o debate nacional. A eliminação da obrigatoriedade de disciplinas como Sociologia e Filosofia e a inclusão de ensino religioso foram dois pontos considerados retrógrados pela maioria dos especialistas – os quais foram excluídos do texto atual da proposta.

Outra crítica feita à base é sobre a tentativa de colocar os padrões de busca por resultados, que já acontece nas escolas privadas, também no ensino público. Ou seja, ao invés de a educação formar cidadãos críticos e com poder de reflexão, passa a tratá-los apenas pelo viés da meritocracia e do mercado de trabalho, com foco na disputa de vagas do vestibular e no acúmulo de conteúdo.

Entre as propostas que dividem opiniões, está a da possibilidade de um “itinerário de formação” na segunda parte do Ensino Médio, por meio da qual o aluno escolheria uma área específica para seguir com determinadas disciplinas – que não seriam obrigatórias aos que optassem por outras áreas. Apenas as áreas de Linguagens e Matemática permaneceriam como fundamentais.

Dia de discussão

Na última quinta-feira, 02 de agosto, o governo realizou uma consulta pública em escolas de vários estados para discutir a nova base curricular, o chamado Dia D. A expectativa era que cerca de 30 mil escolas fossem mobilizadas em torno da discussão. No entanto, a polêmica tem sido a tônica no que diz respeito à nova base, vista por especialistas como uma precarização do pensamento crítico nas instituições.

Tal discordância levou parte dos profissionais a boicotarem o dia de consulta pública. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a proposta foi elaborada por pessoas fora da área, que não tiveram contato direto com o campo da educação – o que seria um empecilho para identificar as demandas que surgem da prática e da vivência nas instituições.

E o Enem?

Atualmente, o Exame Nacional do Ensino Médio é composto por 4 áreas de conhecimento. São elas: Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias e Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, além da redação, que exerce grande peso na nota final.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) já avalia a mudança segundo a BNCC, que deve ser apresentada ainda esse ano, se a proposta da nova base for aprovada. Uma das possibilidades é que o Exame tenha diferentes modelos de acordo com os itinerários oferecidos durante a formação básica do aluno.

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