Enem: Instituições particulares lideram ranking

Pesquisa mostra que estudantes de escola pública são prejudicados na disputa por vagas

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Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (29/06) pela Folha de S. Paulo não revela uma novidade, mas um dado que exige reflexão: a desigualdade de oportunidade entre estudantes de escolas públicas e particulares na disputa por uma vaga no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As maiores médias são de alunos de instituições privadas do Sudeste, com São Paulo e Minas Gerais à frente nessa corrida.

Em SP estão 30 líderes do ranking, MG concentra 23 instituições, Rio de Janeiro conta com 16 delas e Espírito Santo abriga outras 6. Foram consideradas apenas escolas com mais de 60 alunos no 3º ano e, para o levantamento, a pesquisa tomou como base as provas objetivas de Ciências Humanas e da Natureza, Linguagens e Matemática.

O colégio líder, Bernoulli, está localizado em Belo Horizonte, MG. Com mensalidade acima de R$2 mil, fica em uma área nobre da capital mineira. Por lá, a média de pontos na prova objetiva foi de 712,91 e na redação chegou a 840,81. Para ingressa no colégio, os candidatos precisam passar por um exame de admissão e acertar ao menos 60% da prova.

Entre as instituições públicas, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, o Coluni, foi o melhor colocaoa: ficou na 7ª posição.  A instituição registrou nota média de 689,81 no Enem e, para os alunos que desejam ingressar na melhor das federais, é necessário passar por um Exame de Seleção, já que a concorrência é alta.

Apesar de os colégios paulistas se destacarem em quantidade, só aparecem a partir da 11ª posição da lista. O Vértice ocupa esse lugar, com uma média de 686,50 na prova objetiva. Situado no bairro do Campo Belo, tem apenas duas turmas do 3º ano do Ensino Médio e uma mensalidade fora de alcance para a maior parte das famílias brasileiras: R$4.230 para o 1º e o 2º ano e R$4.890 no 3º.

Desigualdade econômica refletida no ensino

Além de apenas 7 das maiores notas do Enem serem de instituições públicas, os números gerais também expressam como a desigualdade econômica se reflete na qualidade de ensino e nas oportunidades. Das 6.499 escolas que entraram no levantamento da Folha, 1.272 são privadas e outras 5.227 são públicas. 10% estão classificadas com as piores notas, todas públicas. Dos 10% de colégios com as melhores notas, 82% são privados.

A pesquisa mostra que o sucesso escolar está diretamente atrelado à condição socioeconômica, sendo que as médias mais altas foram registradas entre os alunos mais ricos. Nas instituições com alunos mais pobre, há várias dificuldades (estruturais, falta de professores), além daquelas associadas ao dia a dia do próprio estudante.

36% das escolas para alunos de nível muito alto, alto e médio/alto não tiveram os resultados esperados, o que representa 1 terço das instituições particulares. Ou seja, mesmo mensalidades mais elevadas não representam a garantia de um bom desempenho no Enem.

Enquanto as escolas mais caras não têm registrado todo o desempenho esperado dentro das condições possíveis, o melhor colégio público, Coluni, passa por dificuldades em termos de financiamento para manter suas atividades de alta qualidade. São paradoxos da atual situação do ensino no país.

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