Uma das fotos expostas no “Fragmentos de um Povo”
Em um lugar onde as pessoas vão preocupadas em comprar, passear, comer e olhar as vitrines, é estranho que se encontre miséria. Mas essa é a proposta da exposição fotográfica “Fragmentos de um Povo”, que começa nesta quarta-feira (11) e vai até o dia 25 no Riopreto Shopping, na praça 1 de eventos.
A exposição, realizada pelo fotógrafo Herick Mem, que mora em Rio Preto, tem o objetivo de sensibilizar as pessoas para as populações que vivem em situação de miséria por conta da ineficácia das políticas públicas. “É um panorama da vida daqueles que vivem estagnados, à margem de uma sociedade em pleno desenvolvimento equivocado.”
As fotos surgiram do convite recebido por Herick para acompanhar a produção do documentário “União Brasil”, produzido pela agência “Ah, Lá Comunicação”, de Brasília. Durante a construção do projeto, a equipe passou por diversos locais, como a Favela Canabrava, em Salvador, o edifício de ocupação Prestes Maia, em São Paulo, e as comunidades Nova Aliança e Complexo de Alemão, no Rio de Janeiro.
Em Fortaleza, o fotógrafo registrou centros precários de apoio aos portadores de deficiência. Herick também fotografou pequenas cidades do sertão de Pernambuco, como Santa Filomena, Cabrobró e Salgueiro. No litoral piauiense, o fotógrafo registrou a região dos Cocais. “Esse projeto mudou a minha vida. Fui humanizado”, comenta.
Essa é a primeira exposição de “Fragmentos de um Povo” e, segundo Herick, o trabalho deve ganhar continuidade. “Quero ampliar a exposição registrando outros locais esquecidos pelo Brasil”. Sua próxima parada deve ser no Xingu, onde pretende registrar os impactos sociais causados pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Herick conta que se apaixonou por fotografia aos 15 anos, mas só se profissionalizou há seis. Seu irmão mais velho é fotógrafo profissional e foi com ele que se encantou pelo mundo das fotos. Os dois revelavam e ampliavam fotos em um laboratório improvisado em casa. “Sempre gostava dos trabalhos dele, como um em que ele foi fotografar uma edição dos Jogos Pan-Americanos”.
Herick também já foi design gráfico. Aos 18 anos, como passatempo, começou produzir cartazes de campeonatos de skate para amigos. O tempo passou e a brincadeira virou profissão.
Sobre o local para estreia da exposição, Herick comenta que foi proposital a escolha de um shopping. “Escolhemos para causar um contraste, provocar uma mudança nas pessoas”. É a primeira vez que o fotógrafo registra imagens sobre a miséria.
Herick comenta que vivemos em uma época que devemos cobrar mudanças de hábitos dos nossos políticos e da população. “Espero que todos gostem e que as fotos causem realmente algum efeito.”
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