29/10/2013 22:03

88 crianças barradas na creche

Prefeitura fechou nesta terça mais uma creche conveniada por conta da má gestão do dinheiro público


Creche deixou de atender crianças de até 4 anos de idade / Hilton de Souza/Diário SP


Por: DIÁRIO DE S.PAULO

POR: Ivan Ventura
Especial para o DIÁRIO

A promessa do prefeito Fernando Haddad (PT) de zerar as filas das creches na cidade ainda esbarra em um problema no coração de muitos CEIs (Centros de Educação Infantil). Desde de janeiro desse ano, das 896 creches mantidas por associações, 38 já mudaram ou ainda buscam uma nova entidade capaz de  administrar esses espaços para crianças de até quatro anos de idade.

A ação de rompimento da Prefeitura, embora louvável sob a ótica da administração dessas creches, resultou em 4,7 mil crianças remanejadas para outros CEIs – algumas até para outros bairros. Na prática, esses deslocamentos impediriam que outras crianças, ainda sem vagas, saiam da fila da creche, uma demanda que só entre julho e agosto cresceu em 11 mil menores, segundo dados da Secretaria Municipal de Educação (saltou de 136 mil para 147 mil).

O mais recente caso aconteceu no CEI Larzinho Menino Jesus, no Jardim Elisa Maria, perto da Brasilândia, no extremo Norte da cidade. A creche, que funcionou no local por mais de 30 anos, fechou as portas na terça e deixou de atender 88 crianças de até 4 anos de idade da região. Segundo a Prefeitura, a unidade foi fechada pela má gestão da Associação das Damas de Caridade de São Vicente de Paulo, que mantinha essa creche.

“Fechamos porque a associação que mantinha a creche não repassou o dinheiro da Prefeitura. Aliás, não vemos o dinheiro desde agosto”, disse a diretora, que apenas se identificou como Célia.

Alheios a essa discussão entre a Prefeitura e a associação, pais das crianças do Menino Jesus disseram que perderam boas oportunidades de emprego, muitas delas vagas temporárias que são abertas no fim do ano. Na terça, esses mesmos pais realizaram um protesto em frente à creche, enquanto homens da Prefeitura retiravam geladeira, freezer e outros bens do CEI. A remoção só aumentou o desespero desses pais.

“Eu tinha ainda esperança. Por causa disso, eu perdi emprego em uma fábrica de calcinha. Preciso trabalhar, mas não posso deixar a minha filha sozinha”, disse Nelma Matos, de 25 anos, mãe de Mirele, de 4 anos.

Bloqueio judicial da conta bancária encerrou  convênio

A Secretaria Municipal de Educação informou nesta terça que encerrou o convênio com a Associação das Damas da Caridade de São Vicente de Paulo, entidade que administrava o CEI Larzinho Menino Jesus, por causa do bloqueio judicial da conta bancária na qual era depositado o dinheiro da Prefeitura para a creche.

Segundo a secretaria, foram oferecidas vagas para as 88 crianças nas creches Cantinho do Progresso, Marquês dos Francos, Novo Caminho e Santa Terezinha. Além disso, crianças com idade de pré-escola  foram encaminhadas para a EMEI Jardim Santa Tereza. Desse total, 24 famílias  aguardam um CEI perto de casa. Outras 15 não responderam sobre a oferta de vagas.

Um novo convênio está sendo firmado, mas sem prazo para ser concluído. Questionada, a associação não se pronunciou sobre o caso.

Análise

Claudio Fonseca, presidente do Sinpeem (Sindicato das escolas municipais)

Terceirização de creche é um erro da Prefeitura

Na verdade, essa terceirização ou convênio com associações sem fins lucrativos é um grave erro da administração pública. Isso resulta em sérios problemas de desvio de dinheiro público e, consequentemente, no descredenciamento das associações que mantinham essas creches e  também em crianças pequenas sem escola por toda a cidade.

Estamos certo em exigir uma rede física da Prefeitura, ou seja, que a municipalidade construa as suas próprias creches e pare com esses convênios imediatamente. O melhor é a creche com administração direta. O Sinpeem  é  totalmente contrário a esse modelo.


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