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Rede Bom Dia

VERSÃO IMPRESSA QUINTA-FEIRA
24 MAIO
dia a dia
17/11/2011 10:16

Sobrevivente de tragédia narra como foi acidente

Sobrevivente da tragédia que matou 10 romeiros na rodovia Floriano R. Pinheiro narra como foi o acidente Michelle Mendes e Luara Leimig
redacao@bomdiataubate.com.br
Rogério Marques A aposentada Isaura Maria dos Anjo, 78 anos, que quebrou a cravícula A aposentada Isaura Maria dos Anjo, 78 anos, que quebrou a cravícula

Foi Deus quem salvou a minha vida. A aposentada Isaura Maria dos Anjos, de 78 anos, responde assim quando é questionada sobre como sobreviveu à tragédia com o ônibus de romeiros na Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, ocorrida na tarde de anteontem em Pindamonhangaba, que deixou 10 vítimas fatais e 38 feridos. O grupo, da cidade de Santo Antônio do Descoberto (GO), havia viajado a Aparecida e na volta decidiu conhecer Campos do Jordão. Na descida da serra, às 16h, aconteceu o acidente.

A aposentada tem poucas lembranças do que aconteceu e diz ter nascido de novo. Segundo o motorista (que estava com a habilitação vencida), ele ouviu um barulho, provavelmente o estouro do freio, e o ônibus perdeu o controle, batendo em uma mureta, capotando e rodando na pista.

Ontem, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que o veículo, da empresa El Shaday Turismo, estava ilegal -- não tinha autorização para fazer  viagens interestaduais. Entre as vítimas da tragédia estão duas crianças -- de 3 outra de 10 anos. O município goiano, de 60 mil habitantes e situada a 50 quilômetros de Brasília, decretou luto de três dias.

O ônibus chegou a ser abordado e multado pela Polícia Rodoviária Federal ainda em Goiás, mas burlou a polícia seguiu viagem. “Não lembro como foi o acidente, só me recordo que de repente as pessoas começaram a cair no chão do ônibus e comecei a sentir muito frio até apagar. Foi Deus que me salvou, tenho certeza", declarou Isaura ao BOM DIA.

VÍTIMAS
Um dia após o acidente, parentes e amigos das vítimas viajaram para o Vale do Paraíba à procura de informações. Até o fechamento da edição, três vítimas permaneciam internadas no Hospital Regional, em Taubaté, e outra em Campos do Jordão.

Os corpos já foram liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté e uma funerária fará o transporte até Goiás, onde os corpos serão velados coletivamente. Entre os sobreviventes, a dor não tem fim. "Minha mãe conta que viu gente tentando ajudar a tirar as outras pessoas que ficaram presas, muitos foram pegos ainda dormindo. Emocionalmente ela não está bem, só chora, reclama de dor e pede forças a Nossa Senhora Aparecida", disse Manuel dos Anjos, 53 anos,  filho de Isaura, que fraturou a clavícula e a costela.

MOTORISTA
Além de viajar sem autorização, o motorista Isaque Correia de Almeida, 53 anos, que também era um dos proprietários da empresa El Shaday, estava com a CNH vencida desde setembro deste ano. O motorista foi multado em R$ 4 mil na BR 40 em Valparaíso (GO), foi obrigado a retornar, mas enganou a polícia e seguiu viagem por caminhos alternativos, de acordo com o jornal Correio Braziliense, de Brasília.

Ontem um familiar de Isaque e sócio dele na empresa El Shaday, Arnaldo Teixeira, disse que a empresa está prestando todo o apoio as vítimas e familiares. Segundo a ANTT, a empresa deverá arcar com as consequências penais e civis. O motorista vai responder inquérito por dez homicídios culposos (sem intenção de matar) e lesão corporal.

Polícia Civil investiga causa da tragédia
A Policia Civil de Pindamonhangaba instaurou ontem inquérito para investigar as causas do acidente. O motorista da excursão foi indiciado e deve responder pelos crimes de homicídios culposos (quando não há intenção de matar) e lesões corporais culposas na direção de veículo.

Ontem peritos do Instituto de Criminalística  periciaram novamente o ônibus e retiraram algumas peças que também serão analisadas, entre elas o freio e o câmbio. O laudo deve ficar pronto em 30 dias. “Nos próximos dias devemos ouvir novamente o motorista que foi ouvido no plantão, colher o depoimento de testemunhas, aguardar os laudos”, disse o delegado Carlos Prado Pinto, que chefia a investigação sobre as causas da tragédia.

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