26/01/2013 16:07

Carreta mata idosa e neto de 3 anos

O veículo desceu uma ladeira sem o motorista e atropelou as vítimas, que seguiam para uma igreja

A família da dona de casa Elza Rodrigues da Silva, de 74 anos, e do menino Juan Cristiano Santos Ferreira da Silva, de 3, está revoltada com as circunstâncias da morte dos dois, em Taboão da Serra, Grande São Paulo, e exige justiça. Avó e neto foram atropelados por uma carreta sem freio, que desceu uma ladeira em alta velocidade enquanto o motorista, Francisco Edigar Ferreira Paiva, descarregava clandestinamente em uma padaria parte das 36 toneladas de açúcar transportadas.

Segundo testemunhas, quando a carreta começou a descer a Rua Alberto José, no Jardim Satélite, às 19h de quarta-feira, Francisco ainda tentou puxar o freio de mão. Como não conseguia, pulou da cabine, deixando o veículo descer mais de 500 metros desgovernado. No percurso, o caminhão ainda colidiu com um Idea, atropelou a avó e o neto e parou junto a um córrego. Francisco teve fratura nas duas pernas.

IGREJA/  Elza e o neto haviam acabado de sair de casa e estavam a caminho de um culto na igreja Congregação Cristã do Brasil. Segundo parentes, quem costumava acompanhar a avó era a irmã mais velha de Juan, Yasmim, de 10 anos. Porém, ela desistiu na última hora para ficar com a irmãzinha de 1 ano, Emanuele, porque os pais não haviam chegado do trabalho.

A avó ainda tentou proteger o neto com o corpo e ficou dilacerada. A criança perdeu os braços e morreu no hospital.

O caminhoneiro Antônio Ferreira da Silva, casado há 35 anos com Elza, estava inconformado. “Esse menino era louco por mim. Bastava eu chegar em casa, que ele pulava no meu colo e não queria saber de mais ninguém”, conta. Segundo ele, Elza havia retornado de viagem na madrugada de quarta-feira. “Os dois estavam muito felizes. A gravação do acidente mostra o Juan conversando alegre com a avó enquanto atravessavam a rua. Acho que eles não viram nada”, diz.

Motorista vai responder por furto e homicídio culposo

O motorista da carreta, que seguia para o Porto de Santos, parou em Taboão da Serra para vender três sacos de 50 quilos em uma padaria. Ele foi autuado em flagrante por furto e homicídio culposo (quando não tem intenção de matar) e está sob escolta no hospital. O dono da padaria foi autuado por receptação, mas pagou fiança de R$ 700 e vai responder em liberdade. ”Esse ladrão barato destruiu a nossa vida”, diz Luís Cesar Ferreira da Silva,  pai de Juan.

O garoto era o segundo filho de Luís Cesar e da cabeleireira Cassandra.  “Na terça-feira, estávamos falando sofre crianças e a Cassandra emocionou todos no salão ao falar do seu amor pelo Juan. Ela só o chamava  de ‘meu anjo da guarda’ e dizia ter grande apego pelo menino porque foi  uma gravidez planejada”, conta a amiga Marcia Vanderlei.


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