No último dia 16 de dezembro, um homem de 37 anos foi morto a tiros em frente à sua casa, no Jardim das Indústrias, em Jacareí. Algumas semanas antes, seu irmão, de 30 anos, foi assassinado com 20 tiros, no dia 8 de novembro, no bairro Cecap, também em Jacareí.
Segundo a polícia, as duas mortes podem ainda ter relação com pelo menos outros três homicídios ocorridos nos últimos dois meses, todos envolvendo um possível conflito entre quadrilhas de traficantes rivais.
A estimativa da Polícia Civil é que três em cada 10 assassinatos registrados no Vale do Paraíba tenham alguma relação com o tráfico de drogas. E é por isso que a Polícia Civil vai declarar guerra ao tráfico de drogas em 2013, para tentar reduzir os índices de mortes do Vale.
Além de ações pesadas contra os pontos de venda, a polícia planeja também intensificar o uso das escutas telefônicas, para tentar identificar quem são os fornecedores de drogas para região.
De janeiro a outubro de 2012, 409 interceptações do tipo foram autorizadas pela Justiça no Vale. Dessas 354, ou 86,5% resultaram em ações positivas de prisões e apreensões. “Estamos reforçando nosso setor de inteligência e vamos buscar o apoio do Judiciário para uma ação conjunta de combate a crime organizado”, disse o delegado João Barbosa Filho, diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior).
Dados preliminares indicam que a região teve mais de 50 pessoas assassinadas em dezembro. Se confirmado, o dado coloca 2012 como o ano mais violento desde 2005, quando número de vítimas de homicídios e latrocínios começou a ser detalhado.
“O tráfico acaba gerando uma série de situações que levam ao confronto, seja pelo traficante que quer expandir o território e passa a eliminar os concorrentes, o outro que sai da cadeia e quer retomar o ponto de venda e ainda o usuário que não paga a dívida e é morto”, disse.
Outra estratégia para enfrentar o problema será nas ruas direto no fornecimento aos usuários. As equipes especializadas da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) farão operações semanais nos locais identificados como pontos de venda de drogas, as conhecidas biqueiras.
“A ideia é fazer o estrangulamento financeiro do tráfico e tornar o negócio inviável”, disse Barbosa.
Os agentes terão que elaborar relatórios mensais das ações, indicando os locais abordados, quantidade de drogas e pessoas presas. “Sabemos que hoje não existe mais o grande traficante, pois os criminosos descobriram que é mais seguro pulverizar o negócio e espalhar a venda em vários pontos. O que queremos é mapear esse novo tipo de esquema.”
SAIBA MAIS
Escutas telefônicas
Entre janeiro e outubro de 2012 a Polícia Civil realizou 409 escutas telefônicas autorizadas pela Justiça
Resultados
Do total, 354, ou o equivalente a 86,5% tiveram resultado positivo levando a apreensão de drogas e prisão de criminosos
Seccionais
As delegacias seccionais que mais realizaram escutas foram as São José dos Campos, com 199 grampos, seguida de Guaratinguetá com 111
Estratégia
Para intensificar o uso desse recurso, a Polícia Civil espera buscar o apoio do Judiciário para um trabalho em conjunto contra o crime organizado
Escutas exigem cautela, alerta especialista
Para conseguir fechar o cerco contra o tráfico, a Polícia Civil esperar contar com o apoio do Judiciário na liberação das escutas telefônicas.
“Alguns juízes mostram resistência em liberar as escutas, mas vamos buscar um entendimento pois o recurso é necessário”, disse João Barbosa Filho, diretor do Deinter 1.
Consideradas uma importante ferramenta de combate ao crime organizado, o uso das escutas exige cautela. A opinião é de especialistas.
“Se foi um medida autorizada pelo Judiciário sob a responsabilidade de uma autoridade policial, não vejo problema, agora se a escuta for feita de forma ilícita, é um risco à sociedade”, disse o professor de direito criminal da Universidade de Taubaté Avelino Barbosa.
O especialista em segurança pública Guaracy Mingard também alerta para os limites de recurso. “Os líderes das grandes quadrilhas já sabem que a polícia monitora as ligações telefônicas e por isso deixaram de fazer transações ilegais pelo aparelho”, disse.
Mingard cobra que as policiais busquem novos meios de investigações, para não ficarem reféns das escutas.