22/12/2012 05:00

Quadrilha é desarticulada em Bauru

Condomínio de luxo e casal que teve carro incendiado foram alvo de mesmo bando nesta semana na cidade

Por: Rodrigo Viudes
rodrigo.viudes@bomdiabauru.com.br

Apenas dois dias depois da tentativa frustrada de assalto a um condomínio de luxo em Bauru, na madrugada da última terça-feira (18), um casal foi surpreendido por homens fortemente armados em uma chácara do Vale São Luiz, na zona rural da cidade. A exemplo do primeiro caso, os bandidos exigiam dinheiro e joias, segundo o relato das vítimas.

O que o BOM DIA já havia apurado, anteontem, acabou por se confirmar: o crime foi praticado pela mesma quadrilha, de acordo com informações do delegado adjunto da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Clédson Luiz do Nascimento. 

“Os autores confessaram os crimes. Já prendemos três e identificamos outros quatro”, afirmou. As prisões aconteceram no começo da tarde de anteontem, todas em Bauru.

montaria frustrada /Conforme afirmou o delegado, as investigações conduziram a polícia até um barracão no Parque Real, que teria sido utilizado como esconderijo dos assaltantes.

A ação culminou nas prisões de André Luis da Silva, conhecido como “Bila”, 24 anos, e Peterson Ricardo de Moura, 21, ambos de Sud Menucci (SP) e ainda Abenício José da Silva, o “B. N.” ou “Benê”, 41.

“O Peterson, por exemplo, alegou que teria vindo a Bauru para montaria em boi. Ele e o outro de sua cidade não teriam conseguido emprego e acabaram se envolvendo com o assalto”, conta o delegado.

Foi a prisão de “Benê” que, ainda segundo Nascimento, teria ajudado a polícia a desarticular a quadrilha. Residente em São Paulo, ele tem envolvimento com outros assaltos a residências.

Também da capital seria o líder do bando, de acordo com a polícia: Amauri Fernando Parras Luque Vogt, o “Monstro”, 34 anos, preso pelo mesmo crime em 2009.

Ele não havia sido preso até o fechamento desta edição, a exemplo de Thiago Cipriano, 22 anos, dono de um dos carros abandonados próximo ao condomínio de luxo.

Outros dois homens, que também fariam parte da quadrilha, também são procurados pela policia. A DIG não divulgou os nomes. “Estamos na busca”, frisa o delegado.

crime patrimonial / Apesar de o condomínio alvo dos bandidos na terça-feira ser a residência de policiais, a hipótese de o crime ter sido também uma tentativa frustrada de um possível atentado foi negado ontem na DIG.

“Inicialmente, até consideramos essa questão da residência. Mas, tão logo começaram os trabalhos da inteligência [ da Polícia Civil], constatamos se tratar de um crime patrimonial. Inclusive, devido ao que foi encontrado dentro de um dos carros: alicate e pé-de-cabra”, argumenta Nascimento.

Ele ressalta ainda que, em depoimento, os próprios acusados teriam admitido que escolheram o local por conta do quanto poderiam retirar de lá, invadindo as casas. “Alegaram que encontrariam muito ouro ali”, diz o delegado.

Os acusados foram presos por roubo tentado e extorsão mediante sequestro, apesar de terem negado este último crime. Nascimento descartou ainda que outros grupos “especializados” em assaltos a condomínio estejam em ação em Bauru. “Não acreditamos nisso”.

Crime no Jardim Ouro Verde fica  desfalcado com ação da DIG

Os acontecimentos das últimas semanas levavam a polícia a pensar que uma mesma quadrilha do Jardim Ouro Verde era responsável por alguns dos principais crimes cometidos na cidade. 

Tudo começou quando o jovem William Rafael da Silva, 20 anos, foi deixado morto na porta da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Ipiranga, no dia 3 deste mês. O corpo do jovem tinha sinais de tortura e afogamento . 

Alguns dias após o crime, a Polícia Civil, através da DIG (Delegacia de INvestigações Gerais), já tinha um adolescente detido e prendeu também outros dois envolvidos. 

Além de serem acusados pelo homicídio, Guilherme William da Silva, 21, conhecido como “Coxinha” e Mauro Celso Turco, 20, são considerados pela polícia os chefes do tráfico em toda região do Ouro Verde. 

Os grupo seria integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). 

Mauro e uma terceira envolvida no tráfico foram presos no dia 13 e Guilherme foi encontrado pela Polícia Militar na manhã do dia 14. 

No começo dessa semana, a tentativa de invasão no condomínio de luxo seguida pelo roubo e sequestro do casal levantou a hipótese de que poderia se tratar de integrantes ou comparsas de Coxinha. 

A polícia já tinha a informação de que alguns dos envolvidos nos dois crimes também eram do Ouro Verde, como já foi dito ao lado, e pensava-se em uma possível relação entre eles. 

Na manhã de ontem, entretanto, o delegado adjunto  Cledson Luiz do Nascimento descartou, pelo menos por enquanto, a possibilidade. 

Ele explicou que tentou encontrar uma ligação entre os grupos, mas que não conseguiu estabelecê-la suficientemente a Coxinha, Mauro e a terceira comparsa envolvida no tráfico estão presos, assim como os integrantes da quadrilha de roubo. 

Relacionados ou não, o crime na região do Ouro Verde  teve um grande tombo, para a alegria da população de Bauru e da região. /Daniela Penha

Invasão e roubo a condomínios já viraram rotina

Escolhidos como uma alternativa supostamente mais segura de moradia, os condomínios têm sido alvo frequente de assalto em Bauru.

Antes da tentativa ocorrida na última terça-feira, outro desses empreendimentos, na avenida Getúlio Vargas, foi assaltado. Ladrões invadiram e levaram dinheiro, joias e eletroeletrônicos.

Reconhecido por uma vítima, feita refém, Armando José de Souza, 57 anos, foi preso em frente de sua casa, em Santo Amaro, na Grande São Paulo.

O bandido, aliás, admitiu em seu depoimento na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) que teria escolhido o local por ser “muito fácil” assaltá-lo, apesar da segurança privada.

Em março, a segurança de outro condomínio, também na zona sul, não foi suficiente para barrar a entrada de uma dupla. Com dois revólveres e uma marreta, os bandidos fizeram uma família refém.

Um dos homens, inclusive, vestia uma camisa na qual se lia “Polícia Federal”. Depois de revistarem toda a casa, os ladrões fugiram levando R$ 50 mil em joias, celulares e dinheiro.

Outro caso foi registrado em novembro, mas os ladrões fugiram sem levar nada.


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