O presidente do Sindicato dos Químicos de Bauru e região, Edson Dias Bicalho, que também é secretário de Relações Sindicais da Força Sindical para a América Latina e Mercosul e secretário geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas, participa da reunião tripartite da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O evento começou nesta segunda-feira (24) e segue até sexta-feira (28), em Genebra (Suíça).
O encontro reúne 15 representantes dos trabalhadores, dos governos e dos empresários do mundo para discutir a reestruturação produtiva e seus efeitos no emprego nas indústrias químicas e farmacêuticas. Bicalho é o único representante dos trabalhadores da América Latina na reunião da OIT. “Estamos discutindo a fusão de empresas, as condições de trabalho e o desemprego em função destas fusões. Os empresários argumentam que, com a crise, as fusões são necessárias para que as empresas sobrevivam”, explica.
Ele ressalta que a situação do Brasil é melhor, pois o impacto da crise no país é menor. Nesta terça-feira (25), Bicalho vai apresentar um panorama do setor no Brasil. Em sua explanação, ele vai ressaltar que a indústria química brasileira cresceu 29% em 2010, em relação a 2009. “O setor químico respondeu por 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2010”, frisa.
O número de empregados nas indústrias químicas também aumentou. O total de pessoas ocupadas no setor cresceu 3,44% de janeiro a agosto deste ano, de acordo com dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.
Já a indústria farmacêutica brasileira faturou US$ 19,9 bilhões em 2010, o que indica um crescimento de 15,7% em relação ao ano de 2009. De acordo o Caged, o saldo de empregos criados no setor, no período de janeiro a dezembro/2010 foi de 1.766. No entanto, é alta rotatividade no setor. Para Bicalho, o diálogo entre trabalhadores, governos e empresários é a solução para os desafios econômicos e sociais da indústria química e farmacêutica.
Como estratégia para enfrentar estes desafios, ele aponta a necessidade de qualificar socialmente e profissionalmente os trabalhadores, preparando-os para lidar com as novas tecnologias e novos processos produtivos; promover Formação Política Sindical dos trabalhadores da base e preparar os dirigentes sindicais para enfrentar as mudanças no mercado de trabalho. “É o caminho para construirmos uma sociedade não só economicamente ativa e eficiente e mais também justa”, completa.
Em sua explanação na OIT, Bicalho também abordará os programas de qualificação profissional do setor químico e farmacêutico existente no Brasil e o acordo coletivo do setor farmacêutico que reduziu a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. “Investir em capacitação gera retornos: produtividade para as empresas, desenvolvimento econômico, bem-estar social para o país, aumento de renda e possibilidade de inserção social.
Sobre o Sindicato dos Químicos de Bauru e região
O Sindicato dos Químicos de Bauru e região, como é conhecido, foi fundado em 1989. Sua base territorial é compreendida pelos municípios de Agudos, Arealva, Avaí, Balbinos, Bariri, Bauru, Boa Esperança do Sul, Bocaina, Boracéia, Borebi, Guarantã, Iacanga, Itaju, Itapuí, Jaú, Lençóis Paulista, Pederneiras, Pirajuí, Piratininga, Pongaí, Presidente Alves e Reginópolis, que concentram mais de 5 mil trabalhadores do setor.
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