Há cerca de duas semanas, a professora Sônia Regina dos Santos Battaieiro Diógenes, 50 anos, de São Bernardo, recebeu uma estranha correspondência em sua casa.
Enviada por uma empresa chamada Banerjpp (Banco do Estado do Rio de Janeiro Previdência Privada), ela continha dados pessoais - endereço, telefone e número de documentos - dela e da sua mãe, Albina de Jesus Santos, 78 anos.
O documento recebido por Sônia explicava que Albina tinha direito a receber R$ 64,1 mil, além de uma aposentadoria de quatro salários mínimos. Seria uma boa notícia se não se tratasse de um golpe.
“Liguei para os telefones que vieram na carta, e ninguém atendeu. Aí resolvi ler o documento, e comecei a desconfiar que era um golpe quando ví que teria que pagar 5% do valor que a minha mãe teria direito para receber o prometido. Fiz uma pesquisa na internet e percebi que outras pessoas haviam recebido o mesmo documento”, explicou a professora.
Pesquisa/ Segundo o advogado previdenciário Hélio Gustavo Alves, golpes com o uso de cartas estão entre os mais frequentes sofridos por aposentados e pensionistas.“Outras práticas muito comuns incluem o uso de dados dos idosos para a realização de empréstimos consignados, ou o envio de cartas prometendo revisão da aposentadoria em troca de uma soma em dinheiro”, destacou Alves.
Segundo ele, em todos esses casos, a recomendação é que o aposentado procure a polícia. “Mesmo quem não caiu no golpe também precisa registrar a ocorrência. Deve ser investigado como dados sigilosos foram parar nas mãos dos golpistas”, completou.
É exatamente a quebra do sigilo dos dados que preocupa a professora Sônia e a sua mãe Albina. “A gente fica com medo deles [os golpistas] usarem essas informações para algum outro golpe. É uma preocupação muito grande saber como essas pessoas conseguiram as informações”, afirmou Sônia.
Avisos contra golpes estão na internet
Tribunais e Previdência Social alertam para uso do nome dos órgãos em golpes aplicados via correspondência
Tanto o TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) quanto o Tribunal Regional do Trabalho mantém em suas páginas na internet alertas sobre o uso do nome dos órgãos em correspondências falsas.
Na página do TJ existe inclusive um exemplo de carta enviada pelos golpistas. O tribunal ressalta que não solicita depósitos por meio de contatos telefônicos. Mesma informação é fornecida pela justiça trabalhista. A recomendação dos órgãos é de não depositar quantia alguma sem consultar antes o seu advogado.
INSS/Já o Ministério da Previdência Social orienta aposentados e pensionistas a desconfiarem de pessoas que prometem agilizar processos de revisão de aposentadoria, dentre outros processos previdenciários.
Nessas situações, o aposentado não deve fornecer os dados e documentos aos golpistas. É fundamental que a pessoa que foi abordada pelos criminosos entre em contato com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) com a ouvidoria do órgão, por meio do telefone 135, pela página da Previdência Social na internet (
www.previdencia.gov.br) ou pessoalmente, na agência do INSS na sua cidade.