*Atualizada às 19h42
Após denúncia anônima de maus-tratos, um casal do bairro Jundiaí-Mirim perdeu a guarda de uma menina de 8 meses, que foi encaminhada para a Casa Transitória, na tarde desta quarta-feira.
O bebê vivia com os pais, acusados de serem usuários de crack, em dois cômodos, sem qualquer tipo de infraestrutura para abrigar uma criança. No local não havia sequer um berço, de acordo com a conselheira Ana Paula do Nascimento Bernabé, e as condições de higiene eram precárias.
“Havia muito lixo acumulado, restos de comida no fogão, louça de vários dias em cima da pia, roupas sujas espalhadas pela casa, muita sujeira”, conta, explicando que os maus-tratos estão relacionados à falta de higiene e falta de alimentação adequada para o bebê e não ao fato de que os pais agrediam a criança.
“Não ocorria a violência física, mas o casal não tem condições de ficar com o bebê neste momento e nosso papel é o de proteger esse menor”.
O casal confessou para a conselheira tutelar que a criança, por várias vezes, chegou a ficar em casa sozinha quando pai e mãe saíam para comprar e usar a droga, durante a madrugada. “Quando não ficava sozinho, o bebê era levado pela mãe para a biqueira junto com ela”, completa Ana Paula.
Foi o fato de a criança ser deixada sozinha dentro de casa que gerou a denúncia ao Conselho Tutelar. Porém, ontem de manhã, quando conselheiros e guardas municipais chegaram na casa da família, encontraram apenas o pai. A mãe havia saído e levado a criança junto, mas chegou momentos depois.
Lar desestruturado / Além do bebê de oito meses, o casal já perdeu a guarda de dois outros filhos. Por medida judicial, um garoto de 12 anos está sob os cuidados da avó materna e uma menina de pouco mais de um ano mora na cidade de Bauru com a avó paterna.
Ontem, o Conselho Tutelar ofereceu ajuda ao casal, mas somente a mulher demonstrou interesse em largar o vício. “A mãe chorou muito e não queria entregar o bebê. Conversamos, orientamos e agora estamos esperando que venha até o conselho para que a internação e cuidados médicos sejam providenciados”, explica a conselheira. Segundo ela, o pai da criança disse que não precisa de tratamento.
O caso será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude e, se a mãe conseguir se recuperar, pode voltar a ter a guarda dos filhos.
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