Em 2001, a filha e a mulher são sequestradas. Depois de pagar R$ 200 mil pelo resgate, elas foram liberadas. No ano seguinte, depois de uma briga conjugal, ele acerta a mulher com um tiro no rosto e depois a socorre. Nos anos seguintes, conhecidos afirmam que o empresário, vindo de Tatuí e morador de Sorocaba, faz negócios de agiotagem e cobra os “clientes” de forma violenta, sem limites. Cria muitos inimigos, até dentro da família.
A ponto de o próprio irmão entrar em sua loja, a Nacional Imports, e quebrar os carros de sua loja. Nos últimos 15 dias, teve seu comércio assaltado duas vezes e sofreu duas tentativas de homicídio: em Sorocaba, na avenida General Carneiro, na quarta-feira (10), e nesta quarta-feira (15) à noite, na esquina das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Cidade Jardim, em São Paulo. Esse homem de 50 anos, com um histórico trágico, é Munir Mohamed Jamour.
O BOM DIA percorreu a cidade para apurar o que aconteceu na vida desse comerciante aparentemente bem-sucedido, que reside no condomínio de alto padrão, e agora é, segundo investigadores, perseguido por algum inimigo que quer matá-lo a todo custo. “Ele veio aqui, cerca de dez horas antes do segundo atentado na capital, para pedir a abertura do inquérito”, diz Silvio Miguel Marques Vicentim, delegado-titular do 3º Distrito Policial da cidade. “Munir foi categórico. Afirmou que alguém quer matá-lo desde janeiro.”
Tentativas
Embora somente um boletim de ocorrência tenha sido registrado – em 10 de janeiro – essa provável perseguição começou entre o final de janeiro e o início de fevereiro. Segundo o delegado Silvio Miguel, o inferno astral da vítima começou com o roubo de quinze baterias de camionetes, na loja Nacional Imports, na avenida General Carneiro. Dias depois, assaltantes levaram computadores, impressoras e um relógio do estabelecimento.
Estranhamente, essas ocorrências não foram registradas. No dia 10, a primeira tentativa de matá-lo, na mesma loja. Depois de sair da lanchonete Fazendinha, atravessou a avenida e percebeu a aproximação de uma moto com dois suspeitos na garupa. Depois de tentar fugir, ouviu cinco tiros, que acertaram seu relógio e o braço de raspão. Safou-se. Nesta quinta-feira (16), em São Paulo, a sorte novamente estava a seu lado. Outra dupla se aproximou de sua Mercedes Benz CLS 500 preta, que pretendia blindar. Levou um tiro no ombro. O projétil ficou alojado próximo à artéria carótida, vaso sanguíneo que leva sangue arterial do coração para o cérebro. Por pouco ele não morreu. “Vamos investigar a ligação entre as duas tentativas de homicídio. Pode ter sido vingança de um funcionário”, disse o delegado do 3° DP. Ninguém da família fala do caso.
Testemunhas dos supostos atentados sentem medo
Quem viu ou ouviu os supostos atentados contra o empresário Munir Mohamed Jamoul tem um sentimento comum: medo. Um dos funcionários da lanchonete Fazendinha, que pediu para não ser identificado, diz que ouviu os cinco tiros disparados na avenida General Carneiro, na noite de 10 de fevereiro. “Quando saímos para ver o que aconteceu, a Guarda Civil Municipal já cercava os dois carros envolvidos. Sentimos pavor e medo. Todos ficamos assustados”, afirma. Os veículos em questão são o Land Rover de Muamir e o Honda Fit do aposentado Emílio Tayar, 83. Seu automóvel foi atingido pelo carro da vítima, desesperada em se salvar. “Meu marido levou um susto. Ouviu os tiros e viu a moto em fuga”, diz Oriete Maia Tayar. “Ele é muito solidário. Ficou preocupado com o que ocorreu. Graças a Deus, teve só ferimentos leves”, diz.
No condomínio Tivoli, onde o empresário e o filho passam os finais de semana, segundo moradores, o clima era de aflição. Os porteiros trataram de informar que não havia mais ninguém na casa. “Só a empregada estava lá, mas já foi. Não têm mais pessoas lá. Devem estar todos em Tatuí”, informa um dos funcionários do condomínio.
O filho do empresário, que o acompanhava em São Paulo, entrou em choque depois do suposto ataque contra o empresário. Os dois teriam ido à uma empresa de blindagem de automóveis para proteger a família de outra tentativa de homicídio. “Ambos fizeram o orçamento na loja e depois saíram, para depois retornar à Sorocaba”, diz o delegado do 15° DP da capital, Paulo Henry Venduraz. “Na avenida Brigadeiro Faria Lima, o rapaz ouviu um estampido e depois viu o pai caído sobre o banco. Abriu a porta, correu e foi chamar a polícia”. A família socorreu o empresário.
Empresário tem passagens por lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo
Segundo a polícia civil, Munir Mohamed Jamoul tem passagens por lesão corporal (agressão doméstica) e roubo. Em 2002, teria baleado a mulher, mas depois a socorreu. Familiares do empresário teriam dito aos investigadores que ela retirou queixa após sofrer ameaças do marido.
5
dias se passaram entre o primeiro homicídio tentado, em Sorocaba e o desta quarta-feira.
DIG de Sorocaba tem pistas
Dois celulares deixados pelos assaltantes na avenida General Carneiro são periciados na delegacia.
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