Jeová Pimenta Ribeiro Júnior desembarca em Rio Preto com violão e muitos planos
Pelo menos 1,8 mil passageiros passam diariamente pelo terminal rodoviário de Rio Preto. Mais do que passageiros, são pessoas com histórias que podem ser mudadas ao chegar ou partir. Tem gente que está de passagem, para as quais o terminal é só um ponto no mapa, e há aqueles que dependem dos cerca de 170 ônibus que saem todos os dias para outras cidades e levam e trazem trabalhadores e estudantes em um balanço da vida.
A Estação Rodoviária Governador Laudo Natel, de Rio Preto, completou 39 anos, faz 18 dias. A quase quarentona, inaugurada em 26 de janeiro de 1973, passou por reformas, mas não acompanhou o crescimento da cidade. Por mês, são cerca de 54 mil pessoas que passam por lá e por ano, pelo menos 650 mil passageiros.
“Rio Preto cresceu e o terminal ficou pequeno. A construção de um novo prédio é fundamental para tirar a sobrecarga da rodoviária”, diz o presidente da Emurb, Liszt Abdala Martingo.
Projetos / O prédio é alvo de crítica de rio-pretenses por ser um dos componentes que mais contribuem com o caótico trânsito do Centro. À noite, a região da rodoviária é considerada um lugar perigoso. Inunda em dias de chuva forte. E o entorno é cravado de lojas de produtos paraguaios e chineses, de hotéis pagos por hora e de moradores de rua, que lá desembarcam e por lá mesmo ficam.
Há pelo menos dez anos que se discute a retirada do terminal do Centro. Foram três tentativas frustradas e, desde novembro de 2010, tramita na Câmara projeto que permite à prefeitura conceder à iniciativa privada a construção, operação e administração do novo terminal (leia mais na página 4).
Vai, mas quer ficar / Abraçados e chorando. Assim foi a despedida do casal de namorados no terminal rodoviário. Ciro César, 20 anos, cursa engenharia elétrica em Rio Preto e Jaqueline Ávila, 20, engenharia agrícola, em Rondonópolis (MT). As aulas voltaram.
“Estou triste”, disse Jaqueline. A paixão vai ter de esperar até o Carnaval, quando Ciro vai enfrentar quase mil quilômetros de distância e 12 horas de viagem para ter Jaqueline novamente nos braços.
Chega para ficar / “Aqui eu quero crescer profissionalmente, estudar e me aperfeiçoar”, diz Jeová Pimenta Ribeiro Júnior, de 25 anos, quando desembarcou na rodoviária, na última semana. Cheio de expectativas, o auxiliar de topógrafo deixou a Barra do Garça (MT) a 800 quilômetros para tentar vencer em terras rio-pretenses.
Deixou a família e os amigos por uma proposta de trabalho. Trouxe como acompanhante o violão. “Vou ter de fazer novas amizades. Enquanto isso, o violão vai ser o meu parceiro.”
Vai e vem / Se Maria Aparecida Velasco, 57, apurasse os ouvidos encontraria sua história contada na primeira frase da música “Cotidiano”, de Chico Buarque. “Todo dia ela faz tudo sempre igual...”. Há oito anos, Maria acorda às 5h10 e vem de Ibirá para Rio Preto onde trabalha como mensalista. Depois do dia de afazeres, toma o ônibus para Ibirá às 18h20 e chega à casa dela às 19h10. “É um sufoco”, desabafa.
A menos de uma semana no novo emprego, Keren Baptista, 17, está animada por “viajar” todos os dias de Guapiaçu para Rio Preto. Conseguiu um trabalho de recepcionista em um consultório. “São só 25 minutos e já posso começar a pensar em fazer faculdade.”A servente Teresa Alves, 46, e o filho Lucas Luan, 13, chegaram no terminal rodoviário de Rio Preto às 6h, vindos de Belém do Pará. Ficaram lá até as 17h15, quando saiu o ônibus que os levou ao destino final: Curitiba (PR).
“Quero tentar a vida lá”, disse e começou a rir. “É que eu e meu filhos acabamos de ver um trem passar. É muito divertido, por isso estávamos rindo”, explica. “A única coisa que fiquei sabendo é que quando chove, aqui [rodoviária] alaga”, completa.
Vai para nunca mais/ Lidiane Fernandes, 23, não teve tempo de conhecer Rio Preto. Mudou-se de Campo Grande (MS) para cá e cinco dias depois voltava para a casa. “Fui despedida do emprego e decidi morar com uma tia minha.” A operadora de caixa não fez grandes esforços para se manter em Rio Preto. Nenhum currículo distribuído e nem mesmo elaborado.
A razão para voltar para Campo Grande é que ela foi chamada para trabalhar de novo no supermercado. “É um emprego muito bom”, disse. Mas o enredo dessa história está um pouco além do trabalho. Mário, o dono do supermercado, é o namorado de Lidiane. Depois de uma briga, ela veio para Rio Preto para que ele sentisse a perda. Rendido pela falta da namorada, Mário ligou, fez declaração de amor e a pediu em noivado. “Estou muito feliz. Vou voltar para minha família, vou voltar para minha casa, para meu namorado e logo, logo vou me casar.”
Rodoviária vai ganhar elevador
A Emurb (Empresa Municipal de Urbanismo de Rio Preto) está instalando elevador no terminal para proporcionar acessibilidade de pessoas com dificuldade de locomoção. As escadas também vão passar por melhorias.
650 mil passageiros passam todo os anos pelo terminal de Rio Preto
Capitais e Interior são os mais procurados
Os destinos mais procurados são as capitais, litoral paulista e cidades do interior de São Paulo, como Jales, Santa Fé, Ribeirão, Araçatuba, Bauru, Votuporanga, Campinas e Fernandópolis.
Está pequeno
“A construção de um novo terminal rodoviário em Rio Preto é fundamental”, Liszt Abdala Martingo, presidente da Emurb.
Feliz ao partir
“Vou voltar para a minha casa, para meu namorado e logo, logo vou me casar”, Lidiane Fernandes, caixa de supermercado.
Copyright Rede Bom Dia de Comunicações 2011. Todos os Direitos Reservados