A declaração do título desta reportagem é da enfermeira Patrícia Farias de Lima, 26 anos. Quando foi feita, durante o almoço do último domingo, pareceu fora de contexto para os familiares reunidos naquela ocasião.
A frase, porém, foi dita um dia antes do desabamento das lajes do Edifício Senador, em São Bernardo, na qual ela acabaria se tornando uma das duas vítimas fatais.
Quem contou essa história foi um dos tios de Patrícia, o mecânico de manutenção Marcelo Aparecido de Souza, 40 anos. Ele era um dos que estavam presentes na tarde desta quarta-feira ao velório da enfermeira, no Hospital Ribeirão Pires, na cidade de mesmo nome.
“Foi uma tragédia. Ela agora está nas mãos de Deus. Lembro que na última conversa que eu tive com ela, a Patrícia me disse que estava gostando de praticar corrida. Que apertou o passo na frente do cemitério porque queria ficar bem longe de lá. Agora, a família só quer agradecer ao trabalho realizado pelos Bombeiros”, contou.
Para os familiares e amigos, ficou a imagem de uma pessoa muito apegada à família, e que tinha muita vontade de viver. O coordenador de almoxarifado José Roberto Felix, 46 anos, ficou com a lembrança da sobrinha torcedora do São Paulo. “Eu sou são paulino fanático, e ela sempre vinha comentar os jogos comigo, falar dos resultados”, disse.
Enterro /O sepultamento da enfermeira Patrícia aconteceu também na tarde desta quarta-feira, no cemitério São Sebastião, em Rio Grande da Serra. Cerca de 200 pessoas acompanharam a cerimônia. Por volta das 16h30, céu nublado, o corpo chegou ao local em uma perua Mercedes-Benz preta.
O veículo que a carregou na última viagem não poderia contrastar mais com a simplicidade do seu túmulo, uma simples cova marcada por uma cruz no chão de terra.
No trajeto entre o carro funerário e o local de descanso final, o silêncio foi interrompido somente por palmas e pelo choro dos familiares. À frente do caixão, uma faixa com a frase 'Paty: Nunca iremos te esquecer'. E atendendo ao pedido de Patrícia, antes das primeiras pás de terra, o caixão foi forrado com pétalas de flores.
Síndico admitiu reparo em laje de edifício
Nesta quarta, o síndico do Edifício Senador, Lauro Salera, negou ao portal de notícias G1 que o prédio tivesse problemas de infiltração. Na terça-feira, o delegado titular do 1º DP de São Bernardo, Victor Vasconcellos Lutti, afirmou que um reparo mal executado em uma vazamento na laje do último andar poderia ter sido o causador do desabamento parcial das lajes do edifício, que deixou um saldo de dois mortos e seis feridos.
Segundo Salera, há cerca de um ano o edifício passou por um serviço de impermeabilização.
“O prédio passou por reparos de impermeabilização no décimo quarto andar, uma manutenção periódica, [que acontece] de tempos em tempos", declarou o síndico ao portal. Ele negou ainda que houvesse reclamações de rachaduras ou infiltrações de água nas paredes do prédio de escritórios.
Condôminos ouvidos pelo
BOM DIA na terça-feira destacaram que não haviam indícios de que o edifício pudesse sofrer um desabamento como o da última segunda-feira, quando foram afetadas as lajes dos catorze andares do Senador. Segundio eles, o prédio passava atualmente por um serviço de pintura.