Cléber conta nos dedos
Cléber Machado, 49 anos, é o novo alvo do esporte favorito do brasileiro: achincalhar narradores esportivos. “Tem isso, é?”, pergunta ele, o primeiro na linha sucessória de Galvão Bueno na TV Globo. É Cléber quem deve assumir o posto de primeiro narrador da emissora quando Bueno se aposentar, em 2014. “Quer dizer que estão falando muito mal de mim? Rapaz...”.
Cléber é propositalmente alienado quando o assunto é si mesmo. Não lê, não pesquisa na internet nem procura saber o que os outros pensam dele.
Não que isso denote excesso de auto-confiança. Ele está longe de ser o protótipo da celebridade cheia de si. Evita exposição pública, é sério. “Quem trabalha na TV está exposto a isso. Mas será que vale a pena você ficar sabendo o que as pessoas acham de você?”, questiona. “Acho que serve para o bem e para o mal. Às vezes você recebe um elogio e fica envaidecido. Mas daí leva uma porrada no dia seguinte e fica mal. Prefiro a constância.”
A maneira como conduziu sua carreira é uma prova disso. Conta-se nos dedos o número de empregos que teve desde que estreou no rádio, na década de 80. Só na Globo, está desde 1988. Não fala em ambições profissionais. “Tenho projetos, claro, mas nenhum que eu tenha sentado para conversar com a direção para levar adiante. Não sei se eu estou pronto para levar um ‘não’.”
Ainda assim, nega que tenha recebido qualquer proposta para sair da casa. Em 2008, vazou uma notícia de que a Record teria lhe oferecido R$ 500 mil, o dobro do que supostamente receberia na Globo, para trocar de emissora. “Isso nunca existiu oficialmente. Só ouvi falar”.
Cléber também jura só conhecer o seu perfil falso no Twitter, um hit na rede social, pelos colegas. No microblog, um gatuno se inspira no “estilo” do narrador para comentar notícias esportivas. “Não sei dizer o que eu acho porque eu nunca li. Mas sei não, não é errado uma pessoa se passar por outra?”
Cléber questiona ainda o fato de chamarem de gafe as derrapadas que comete vez por outra na TV. “Pô, vai fazer uma transmissão ao vivo para ver não erra. E se eu corrijo no ar, deixa de ser um erro, confere?”.
Na internet, faz sucesso um vídeo que reúne as supostas pérolas, a maioria cometida por ele no “Arena SporTV”, programa que apresentou no canal pago até 2010. Disponível no YouTube, o vídeo é uma coletânea de suas aparições no ‘Top Five’, quadro do “CQC” (Band), e tem 150 mil exibições.
O narrador conhece Felipe Andreoli, um dos repórteres do humorístico “desde que ele era moleque”, por causa do pai, o jornalista esportivo Luiz Andreoli. Mas nunca usou da amizade para pedir que eles maneirassem na piada: “Também sei reconhecer quando eu falo uma grande bobagem”.
Com quatro Copas no currículo, Cléber já se prepara para a de 2014, que acontecerá no país. Antes disso, segue narrando as partidas dos clubes paulistas nas competições regionais, nacionais e internacionais. Na semana que vem, dá um tempo na transmissão de futebol para narrar pela terceira vez consecutiva o desfile das escolas de samba do grupo especial de São Paulo. “Narro Carnaval desde que cheguei na Globo. Nem lembro quando foi o último Carnaval que tive folga.”
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