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Rede Bom Dia

VERSÃO IMPRESSA TERÇA-FEIRA
22 MAIO
dia a dia
07/02/2012 08:27

Bauru sai na frente na batalha contra a dengue

Cidade registrou um caso da doença em janeiro deste ano contra 94 de 2011; combate ocorre nos bairros Júlio Penariol
julio.penariol@bomdiabauru.com.br

Se fosse uma luta de boxe, poderíamos dizer que Bauru venceu - e muito bem - o primeiro round da batalha contra a dengue este ano. Segundo dados divulgados ontem pela Secretaria de Estado da Saúde, a cidade não registrou nenhum caso autóctone (aquele contraído dentro do próprio município) da doença em janeiro de 2012. A única pessoa infectada nos primeiros 31 dias do ano em Bauru “importou”  a dengue do Mato Grosso.

Para se ter uma ideia de como os bauruenses se “movimentaram bem no ringue” para começar o ano com tudo nesta luta contra o mosquito Aedes aegypti, em janeiro de 2011 o município registrou 94 ocorrências da doença, o que já indicava que esse problema de saúde iria atormentar a todos até o fim do ano, quando 4.360 pessoas no total foram infectadas dentro da cidade, sendo que seis morreram.
 
E não foi apenas aqui que a dengue perdeu o primeiro round. De acordo com a secretaria estadual, o DRS (Departamento Regional de Saúde) 6, que engloba Bauru e mais 67 municípios e tem mais de 1,6 milhão de habitantes, o número de casos autóctones em janeiro deste ano também foi zero, contra 105 em 2011. Em todo o estado, a ocorrência da doença despencou 95% na comparação entre 2011 e 2012:  129 casos autóctones este ano, diante de 2.562 registrados no ano anterior.

“É uma redução expressiva, mas não podemos baixar a guarda. O trabalho deve ser diário e contínuo, com a fundamental colaboração de todos os paulistas no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti”, diz o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri.
Mas calma lá. Apesar dos números favoráveis até aqui, o mosquito Aedes está longe de “beijar a lona” e dar a luta por vencida.

No ano passado, a maior concentração de casos da doença (82,5%) se deu entre os meses de março e maio, ou seja, logo após as chuvas de verão, responsáveis por formar os grandes criadouros do mosquito transmissor. Neste período, 3.597 bauruenses foram infectados.

Outra situação que chamou a atenção no ano passado foi a ininterrupção da transmissão viral mesmo no período de menor favorecimento à proliferação do inseto vetor, ou seja, na época mais fria, entre julho e outubro. Nesta época, mesmo em números bem menos expressivos, a transmissão mostrou-se ativa em todas as regiões da cidade.

Desde o final do ano passado e, conforme o plano de contingência do último trimestre, a prefeitura mantém as várias ações nos bairros que tiveram maior incidência de dengue dos últimos cinco anos. São eles: Santa Edwirges, Jaraguá, Bela Vista, Pousada da Esperança, Vila São Paulo e Parque Vista Alegre.

Infestação ocorreu o ano todo em 2011
A dengue é uma doença que tem mais força durante os meses de chuva, principalmente no verão. No entanto, no ano passado, o Aedes se multiplicou por todos os meses, gerando casos até no inverno. Por isso, uma nota de situação epidemiológica da prefeitura, emitida no fim do ano passado, previa nova epidemia em 2012.

1991
Foi o ano do registro do primeiro caso de dengue em Bauru.

Não há previsão de novo mutirão
A prefeitura realizou, em 2011, um mutirão de limpeza nos bairros, para evitar o acúmulo de detritos que poderiam gerar novos criadouros do mosquito. A ação, apesar de tardia, ajudou um pouco. Até agora, porém, não há previsão de novo mutirão para 2012.

Sueli ensina: quintal limpo deixa o mosquito longe
Garrafas e baldes virados com a boca para baixo, quintal limpo e sem entulhos. A dona de casa Sueli Alencar Marreiro, 41 anos, levou um susto no ano passado, quando ela, a filha e o genro apresentaram alguns sintomas da dengue. “Senti muita moleza nas pernas e já fui fazer exame”, conta ela, que mora no Ferradura Mirim, um dos bairros de Bauru mais afetados pela doença em 2011.

Sueli teve sorte: o exame deu negativo, assim como o da filha e do genro. Mesmo assim, ela aprendeu a lição: é preciso cuidar da casa para manter longe o mosquito transmissor da dengue.

A filha, Claudineia de Melo, 24, e o genro, André Vital de Melo, 26, sentiram dores pelo corpo. Ele também  teve febre. “Ficamos preocupado também por causa das crianças”, afirma Claudinéia, que tem três filhos pequenos.

Ela conta que, na época em que surgiram os casos de doença no bairro, os agentes de saúde da prefeitura passaram por lá para esclarecer a população. Há cerca de um mês, eles voltaram e olharam os quintais. Quem tinha lixo acumulado e recipiente com água parada recebeu um aviso para resolver a situação.

Na casa dela, assim como na casa de Sueli, nenhum problema foi encontrado. Ainda assim, ela sabe que todos precisam fazer sua parte. “Em casa, o quintal é de concreto. Não deixamos garrafa lá fora, nem balde, nada”, ensina Claudineia. “Um cuida, outro não, e aquele que cuida acaba pegando a doença por causa de quem não cuida”, lembra Sueli.

Entrevista
Virgília Luna Castor de Lima_Superintendente da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias)

‘Há anos de maior proliferação’
BOM DIA: O foi feito pela Sucen para que houvesse essa diminuição no número de casos da dengue?
Virgília: No segundo semestre do ano passado, nós tivemos um plano de intensificação do combate, com uma parceria entre o município e a Sucem. Fizemos ações como a prevenção casa a casa para a eliminção direta dos criadores, a capacitação do município para que  tivessem uma ação mais direta, a eliminação em pontos estratégicos, que são pontos comerciais com condições de manter criadouros (como borracharias, ferros-velhos...) e também em imóveis especiais, que são aqueles com grande circulação de pessoas, como escolas e universidades. Em novembro, nós tivemos a semana da dengue, que foi uma ação educativa com trabalhos nas escolas, gincanas, tudo para alertar a população.

Há algum motivo biológico para essa diminuição?
A dengue é cíclica. Há anos de maior proliferação e outros de menor. Esse ano pode ter sido de menor, no entanto, a dimunuição foi muito representativa e é certo que houve uma mobilização muito grande da Sucen, dos municípios e da população.

O combate continua?
Com certeza! Como nós não podemos ter certeza do peso da mobilização, temos de continuar incentivando a população a participar. Enfatizando que quem já está mobilizado, continue o trabalho e, quem ainda não está, comece! É importante que a população faça um controle semana de seus quintais, eliminando possíveis criadouros e estando atenta quanto a vasos, calhas, pneus, ralos, bebedouros de animais, que são criadores em potencial.

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