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22 MAIO
viva
06/02/2012 22:37

Mocidade Alegre exalta Bahia romântica

Inspirada na obra ‘Tenda dos Milagres’, de Jorge Amado, escola retrata o ambiente de multicultural racial Jussara Soares
jussara.soares@diariosp.com.br
Daniela Souza/ Diário SP A Mocidade Alegre foi buscar inspiração na Bahia romântica A Mocidade Alegre foi buscar inspiração na Bahia romântica

A Mocidade Alegre foi buscar inspiração na Bahia romântica do escritor Jorge Amado, cujo centenário se comemora em 2012, para buscar seu oitavo título na avenida. O enredo é baseado na obra “ Tenda dos Milagres” e vai exaltar um ambiente  não existe espaço para preconceito racial, social ou religioso.

“Falamos de uma Bahia Bahia provinciana, faceira, alegre. E é isso que vamos reproduzir no Carnaval da escola”, promete o autor do enredo, o carnavalesco Sidney França. A ideia da escola é exaltar o sentimento de brasilidade presente obra do escritor baiano.

O romance “Tenda dos Milagres”, que Jorge Amado declarou ser o seu preferido, mostra a violência da elite branca de Salvador contra o rituais de origem africana, o que inclui o candomblé e a capoeira. O personagem central é Pedro Archanjo um Ojuobá (Olhos de Xangô), conhece os tipos do Pelourinho, em Salvador, e é ali que combate o preconceito. “Não vamos contar capítulo por capítulo. É uma obra inspirada”, explica Sidney.

A Comissão de Frente traz Exu, o  mensageiro de Ifá e os 12 Obás de Xangô.  Já o abre-alas é uma homenagem a este orixá. A alegoria traz três grandes leões, fogo e trovões, que são símbolos ligados a Xangô, que era rei da cidade de Oyó.  As três mulheres dele - Oxum Obá e Iansã – também virão representadas no carro.

A segunda alegoria  é “Oferendas ao Xangô” é fecha o setor que mostrará a conquista da liberdade do negro no Brasil. “Este será o carro mais religioso do desfile”. Nele, estarão colocadas comidas para orixá e uma pedreira, que, segundo a lenda, era onde Xangô, morava.

O colorido do Pelourinho e suas ladeiras, tal como estão no livro, estarão na terceiro carro. Igrejas, casarões, atabaques, meretrizes e malandros vão compor o cenário. “Toda aquela diversidade de tipo estará representada neste carro. É o carro onde tudo acontece”, diz.

Já a quarta alegoria fará uma exaltação ao sincretismo religioso. Uma berlinda, onde são colocado santos católicos, carregará um orixá do candomblé. Além disso, haverá escultura dos 16 orixás e objetos utilizados em rituais cristãos, como ostensórios e defumadores.
A Mocidade Alegre encerra o seu desfile fazendo uma homenagem a Jorge Amado, que embora não fosse um praticante do candomblé, foi um dos seus principais divulgadores. E foi coroado como um “Obá de Xangô”, uma honraria dada pelo terreiro de Mãe Senhora na Bahia.

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