José Gasparotti (setembro de 1905, janeiro de 2012)
Uma missa de corpo presente celebrada pelo padre Beto, ontem de manhã, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, emocionou a família do construtor José Gasparotti, o sêo Nenê, morto aos 106 anos.
Ele foi o responsável pela obra da igreja que, ontem, o recebeu para a despedida. O padre também é velho conhecido, pois foi vizinho dos Gasparotti em Bauru.
Filho de italianos pioneiros na região, Nenê nasceu em Agudos e veio para Bauru em 1934, para trabalhar com os padres da Igreja Católica local.
Com o pai, concluiu a construção da Igreja Santa Terezinha e, depois, atuou nas obras do santuário de Nossa Senhora Aparecida, nas igrejas Santo Antônio, São Sebastião, São Benedito e nos colégios La Salle e São José, entre outras. Foram 40 anos ao lado dos padres da cidade.
“Ele era muito querido pelos padres holandeses que moravam em Bauru”, conta uma das filhas, Dalva Gasparotti Pinheiro.
A família conta que os engenheiros assinavam as plantas e entregavam para Nenê, que tinha a confiança dos religiosos para cuidar de todo o resto. Sem nunca perder a humildade.
De acordo com a filha, quando as igrejas não tinham dinheiro suficiente para contratar operários, o pai trabalhava como servente e pedreiro até a situação melhorar e outras pessoas serem chamadas para os serviços.
“O vô Nenê era padrinho do meu pai e faz parte da história de Bauru”, disse ontem, emocioado, o professor e palestrante Reginaldo Tech. “Quando uma pessoa querida parte, o melhor que temos a fazer é apenas lembrar de tudo aquilo que ela nos ensinou de bom. O resto é saudade”, escreveu no Facebook.
O construtor viveu bem até o final, lúcido e disposto. Há dez dias, foi internado por causa de uma pneumonia e morreu na última sexta-feira, em São Paulo, onde morava desde 1976.
Foi para a Capital depois da aposentadoria, para ficar perto da filha Dalva. Viúvo, morava com outra filha, Darci. O filho Dair mora em Ribeirão Preto.
Nenê se adaptou bem à vida em São Paulo. Costumava sair para ir ao supermercado e às missas.
Também gostava de acompanhar os jogos do Palmeiras, como bom descendente de italianos.
Quando fez 100 anos, ele foi homenageado por uma das netas, que montou um livro com declarações de familiares e amigos.
Também recebeu homenagens da comunidade católica da Freguesia do Ó, que frequentava, e no programa da cantora Inezita Barroso.
Apesar de estar em São Paulo há mais de 30 anos, o corpo de Nenê foi velado e enterrado em Bauru, no Cemitério da Saudade, ontem à tarde.
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