Pelo menos 400 moradores das estâncias São Pedro 1 e 2, em Rio Preto, são obrigados a se equilibrar diariamente para atravessar uma pinguela que faz aniversário de um ano neste sábado (04). Há 365 dias a ponte que liga as duas estâncias ao Jardim Nunes caiu por causa das chuvas e os moradores improvisaram a pinguela.
Com a volta às aulas, o problema se agrava e afeta em especial os alunos da Escola Estadual Adelício Teodoro. A passagem improvisada fica sobre o córrego São Pedro.
A comerciante Neucides Nogueira da Silva Rocha, 47 anos, passa o “apuro” de atravessar a pinguela todos os dias. “É um sofrimento. A prefeitura tem de resolver esse problema”, disse ela.
A partir de segunda-feira, a comerciante terá de fazer o trajeto com o sobrinho dela, Vitor da Silva Rocha, de 4 anos.
“Ele vai estudar em uma creche no bairro Santo Antônio. Todos os dias terá de passar pela pinguela para pegar o ônibus no Jardim Nunes, tanto na ida como na volta”, afirma Neucides.
O perigo não está apenas na travessia. Para chegar à pinguela feita de bambu, os moradores são obrigados a descer um barranco coberto com lama e lodo.
Eles são obrigados a caminhar, inclusive no final da noite por ruas sem movimento e sem iluminação por pelo menos 40 minutos, até o ponto de ônibus mais próximo, no Jardim Nunes.
“Se ir pela pinguela demoramos meia hora para chegar ao Jardim Nunes. Já pelo desvio no Parque da Cidadania tenho de andar mais cinco quilômetros. Não compensa”, afirma o aposentado Antônio Pereira de Souza, 69 anos, morador da estância São Pedro 1.
Assim como outros moradores, o aposentado Anísio Rodrigues da Silva, 75 anos, que mora há 10 anos na estância São Pedro 2, está revoltado com a situação. “A prefeitura prometeu solução, mas não cumpriu”, disse ele, que faz o trajeto à cavalo.
Além da falta de segurança na pinguela, os moradores que se arriscam a passar pelo local à noite reclamam de usuários de drogas. “Como saio 22h, tenho de ligar para o meu pai me buscar. Tenho medo de passar pela pinguela nesse horário. Teve morador que já foi assaltado”, afirma a enfermeira Clara Cristina Campos, de 34 anos.
Circular /Outro problema é o transporte coletivo. Por falta de acesso ao bairro, o ônibus deixou de passar nas ruas de terra da estância.
A Circular Santa Luzia informou que instalou ponto de embarque e desembarque em frente à passarela de pedestre que dá acesso às estâncias São Pedro 1 e 2. A mudança do itinerário da via Parque da Cidadania não é possível devido à distância do novo caminho, que mudaria todo o trajeto da linha. A alteração necessita de autorização da Secretaria de Trânsito.
Prefeitura diz que outra ponte será construída perto da que caiu
O problema da pinguela já virou novela e foi capa do BOM DIA no dia 13 de maio do ano passado, quando o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, prometeu que em 15 dias a ponte de concreto que estava sendo construída no local ficaria pronta. O prazo venceu e apenas um pilar de concreto foi erguido. No mês seguinte, a prefeitura parou o serviço pela metade, sem explicações. Em nota nesta sexta-feira (03) ao BOM DIA, a prefeitura informou que outra ponte (há 500 metros da que caiu) está sendo construída na continuação da avenida Augusto Buffolin, no Jardim Nunes. A assessoria informou ainda que os pilares já foram levantados.
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