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Rede Bom Dia

VERSÃO IMPRESSA TERÇA-FEIRA
22 MAIO
esportes
03/02/2012 07:31

Nestor se aposenta, mas não vai ficar parado

‘Tamo indo’. Foi com essa frase que Nestor virou uma página na carreira ao dar tchau ao time do Divino Edu Cerioni
edu.cerioni@bomdiajundiai.com.br
Julio Monteiro/BOM DIA Nestor que fez história no basquete de Jundiaí está se aposentando Nestor que fez história no basquete de Jundiaí está se aposentando
Nestor Mostério chegou ao Divino dois anos antes de o colégio lançar seu projeto de basquete. Ele ainda era aluno quando viu nascer o time que há 44 anos representa Jundiaí. Nos últimos 38 anos, foi o grande responsável pelo sucesso nas quadras, pela formação de atletas e por revelar algumas estrelas para a seleção brasileira. Nesta quinta-feira ele se despediu com um outro motivo de orgulho: ter revelado o novo técnico do Brasil para os Jogos Olímpicos, o seu pupilo Luiz Cláudio Tarallo.

Nestor vai lembrando momentos e pessoas com as quais trabalhou e se espanta: “Comecei novo viu, se não vão achar que tenho quanto, uns 120 anos?”, diz e solta o riso. Aos 60, achou por bem passar o bastão para alguém mais novo, no caso Paulinho Martinago. “Mas não vou vestir o pijama ainda não”, avisa. Professor universitário na Esef, vai seguir dando aula lá e estuda outras propostas que recebeu.

“O que não dava mais era para ficar focado só no basquete de rendimento, que te consome”, diz. Ele até citou Felipão, técnico do Palmeiras: “Dizem que ele ganha uma fortuna. Mas será que vai aproveitar um dia?”.

Casado com Cidinha e pai de Fernanda, professora de educação física, e de Felipe, administrador, Nestor quer curtir um pouco mais a família. Também vai dedicar parte do tempo para o projeto social que o Divino desenvolve e que será ampliado este ano.

O padre Divo Binotto, diretor do colégio, disse que a ação foi aprovada na Lei de Incentivo do Esporte. São três turmas agora, o que será dobrado pelo menos - cada uma com 25 atletas. “Isso é o mínimo que acertamos, mas esperamos ajudar mais alunos das escolas municipais para que se desenvolvam no basquete”.

Supercampeão no feminino, como o BOM DIA mostrou em sua edição desta quarta - “Fiquei emocionado com a reportagem”, disse -, o jundiaiense lembrou que também foi feliz no basquete masculino. “O Marcel e o Maury trabalharam comigo no começo de carreira, assim como o Rafael Luz, que hoje está na Espanha, para citar dois momentos diferentes, ontem e hoje”.

Paula, que figura no Hall da fama do basquete, foi citada por Nestor como exemplo de sucesso, assim como as irmãs Luz, Helen e Silvinha,  Janeth, Marta, Vânia e Damires, outras com as quais trabalhou. “Um amigo me disse: ‘Você sabe revelar jogadora, hein’. Eu respondi que quem faz isso é o pai e a mãe delas, com amor”. Novo riso e ele explica: “Minha função era não matar a semente. Mas ser estrela nas quadras ou na vida depende daquele algo a mais de cada um. Não é a gente quem muda, que cria isso”.

Uma frustração foi não dirigir a Hortência? Ele lembra que teve essa chance na seleção e que eles foram campeões Sul-Americanos. “O melhor foi que tivemos embates históricos. Ela diz que ganhou mais. Eu digo que foi o Divino quem levou a melhor”.

Sobre seu melhor momento na carreira não teve dúvidas: “Esse, claro. Faço uma retrospectiva e vejo quantos amigos ganhei, quanto trabalho e suor dediquei aqui. E saio por aquela porta feliz, com a certeza de dever cumprido”.

Fim da coletiva e Nestor ganha uma salva de palmas. Uma  homenagem mais do que justa!

A vez de Paulinho
Paulo Martinago, 30 anos, é quem assume as funções de supervisor do basquete do Divino. Está há sete anos no colégio e diz que deve seu aprendizado todo a Nestor. Nesta quinta, se emocionou ao falar do “mestre”, lembrando que Nestor lhe abriu as portas, inclusive da seleção - trabalhou com Tarallo no Mundial
Sub-19, que teve o Brasil em terceiro lugar.

“O trabalho eu aprendi muito e não me preocupo tanto. É a pessoa do Nestor que vai fazer muita falta entre nós no dia a dia”, resumiu.
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