Nestor Mostério chegou ao Divino dois anos antes de o colégio lançar seu projeto de basquete. Ele ainda era aluno quando viu nascer o time que há 44 anos representa Jundiaí. Nos últimos 38 anos, foi o grande responsável pelo sucesso nas quadras, pela formação de atletas e por revelar algumas estrelas para a seleção brasileira. Nesta quinta-feira ele se despediu com um outro motivo de orgulho: ter revelado o novo técnico do Brasil para os Jogos Olímpicos, o seu pupilo Luiz Cláudio Tarallo.
Nestor vai lembrando momentos e pessoas com as quais trabalhou e se espanta: “Comecei novo viu, se não vão achar que tenho quanto, uns 120 anos?”, diz e solta o riso. Aos 60, achou por bem passar o bastão para alguém mais novo, no caso Paulinho Martinago. “Mas não vou vestir o pijama ainda não”, avisa. Professor universitário na Esef, vai seguir dando aula lá e estuda outras propostas que recebeu.
“O que não dava mais era para ficar focado só no basquete de rendimento, que te consome”, diz. Ele até citou Felipão, técnico do Palmeiras: “Dizem que ele ganha uma fortuna. Mas será que vai aproveitar um dia?”.
Casado com Cidinha e pai de Fernanda, professora de educação física, e de Felipe, administrador, Nestor quer curtir um pouco mais a família. Também vai dedicar parte do tempo para o projeto social que o Divino desenvolve e que será ampliado este ano.
O padre Divo Binotto, diretor do colégio, disse que a ação foi aprovada na Lei de Incentivo do Esporte. São três turmas agora, o que será dobrado pelo menos - cada uma com 25 atletas. “Isso é o mínimo que acertamos, mas esperamos ajudar mais alunos das escolas municipais para que se desenvolvam no basquete”.
Supercampeão no feminino, como o
BOM DIA mostrou em sua edição desta quarta - “Fiquei emocionado com a reportagem”, disse -, o jundiaiense lembrou que também foi feliz no basquete masculino. “O Marcel e o Maury trabalharam comigo no começo de carreira, assim como o Rafael Luz, que hoje está na Espanha, para citar dois momentos diferentes, ontem e hoje”.
Paula, que figura no Hall da fama do basquete, foi citada por Nestor como exemplo de sucesso, assim como as irmãs Luz, Helen e Silvinha, Janeth, Marta, Vânia e Damires, outras com as quais trabalhou. “Um amigo me disse: ‘Você sabe revelar jogadora, hein’. Eu respondi que quem faz isso é o pai e a mãe delas, com amor”. Novo riso e ele explica: “Minha função era não matar a semente. Mas ser estrela nas quadras ou na vida depende daquele algo a mais de cada um. Não é a gente quem muda, que cria isso”.
Uma frustração foi não dirigir a Hortência? Ele lembra que teve essa chance na seleção e que eles foram campeões Sul-Americanos. “O melhor foi que tivemos embates históricos. Ela diz que ganhou mais. Eu digo que foi o Divino quem levou a melhor”.
Sobre seu melhor momento na carreira não teve dúvidas: “Esse, claro. Faço uma retrospectiva e vejo quantos amigos ganhei, quanto trabalho e suor dediquei aqui. E saio por aquela porta feliz, com a certeza de dever cumprido”.
Fim da coletiva e Nestor ganha uma salva de palmas. Uma homenagem mais do que justa!
A vez de Paulinho
Paulo Martinago, 30 anos, é quem assume as funções de supervisor do basquete do Divino. Está há sete anos no colégio e diz que deve seu aprendizado todo a Nestor. Nesta quinta, se emocionou ao falar do “mestre”, lembrando que Nestor lhe abriu as portas, inclusive da seleção - trabalhou com Tarallo no Mundial
Sub-19, que teve o Brasil em terceiro lugar.
“O trabalho eu aprendi muito e não me preocupo tanto. É a pessoa do Nestor que vai fazer muita falta entre nós no dia a dia”, resumiu.