Os desempregados e interessados em mudar de profissão podem apostar no entretenimento alheio para se dar bem. Os restaurantes, bares e hotéis do ABCD devem contratar cerca de 2,5 mil novos colaboradores em 2012, segundo o Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC).
Atualmente, a região conta com cerca de 100 mil trabalhadores nos setores de gastronomia e hospedagem, contando empreendimentos regularizados ou não. Mesmo assim, faltam profissionais no mercado.
Não há pessoas aptas para trabalhar no ramo, que precisa com urgência contratar arrumadeiras, baristas, cozinheiros, confeiteiros e garçons. Além disso, as empresas também precisam requalificar quem já está trabalhando. “Hoje, no mínimo 15 mil pessoas que estão empregadas precisam aprimorar os conhecimentos para atender adequadamente à demanda. Precisamos ter um nível melhor para servir os clientes”, explicou Wilson Bianchi, presidente do Sehal.
Mudança
De maneira geral, segundo Bianchi, é possível notar que os estabelecimentos do ABCD estão se preparando melhor para o futuro. Estão melhorando os aspectos de aparência, trocando azulejo e equipamentos. Outro investimento é na área de profissionais específicos. Já é possível encontrar estabelecimentos na região que possuam especialistas em bebidas em geral, vinho e cachaças, além de cozinheiros que fazem apenas sobremesas ou saladas.
Encontrar as pessoas que saibam desenvolver essas funções é a dificuldade dos empresários. Quem conseguir se qualificar através de um curso também poderá investir no mercado de trabalho da Capital.
De acordo com Edson Pinto, diretor da Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de São Paulo), não é possível saber quantas vagas o estado terá, mas é fato que o setor está carente de mão de obra.
Prepare-se
“Uma dica para quem quer mudar para essa área é ir até a empresa com algum conhecimento na área adquirido em cursos. O cliente do estado de São Paulo é o mais exigente do Brasil”, informou Edson Pinto, diretor da Fhoresp.
Para Pinto, quanto maior o nível de qualificação mais fácil é para arrumar emprego em locais sofisticados. “Como o lugar é maior, faz parte da lógica que o salário também seja. Locais mais refinados têm clientes que deixam gorjetas maiores. Muitas vezes isso duplica ou até triplica o salário.”
100 mil
pessoas trabalham no setor de restaurantes e hotelaria no ABCD.
Investimento
“Para o ano da Copa do Mundo precisamos ter o dobro de qualidade que já temos.”, Wilson Bianchi, presidente do Sehal.
Oportunidade
“Há empregos na Capital e nada impede que alguém daqui vá para lá trabalhar.”, Edson Pinto, diretor da Fhoresp.
Cursos são o caminho para conseguir trabalho
Moradores de São Bernardo contam como conseguiram emprego em dois restaurantes da cidade; os dois tiveram formação rápida e gratuita
Vanessa Maria da Silva Machado, de 26 anos, estava cansada de ficar em casa e trabalhar como manicure. Na época, a renda no fim do mês dependia obrigatoriamente de quantas clientes iam até sua casa.
A jovem contou que era boa para fazer e pintar unhas, mas estava cansada da rotina e queria trabalhar fora. Entrou no curso de cozinha do Restaurante Escola, de São Bernardo, mas não gostou. “Mudei para confeitaria e quanto estava empolgada surgiu uma vaga de saladeira. Fui para o curso de saladas e gostei. Não é só ficar picando alface. É importante saber que legumes combinam com quais frutas”, contou a atual saladeira da Costelaria Berlin, de São Bernardo.
Hoje, Vanessa é responsável por fazer 22 tipos de salada na empresa, além de precisar decorá-las com perfeição. “Me encontrei nesse ramo de gastronomia e logo começo a faculdade na área. Pretendo continuar o curso de confeitaria e fazer de sushiman. É muito bom trabalhar aqui na Costelaria porque sou registrada e sei com quanto posso contar no final do mês”, comemora a saladeira.
Quem também definiu a vida profissional após fazer um curso foi o jovem Gabriel Calheiros, de 22 anos. No mês que vem, ele pretende começar o curso de gastronomia na Universidade Metodista.
O rapaz contou que antes de sonhar ser chefe de cozinha, fazia bicos de motorista entregando jornal. Após ver uma reportagem sobre o Restaurante Escola, decidiu se informar e fazer a matrícula.
No meio do curso foi chamado para trabalhar como auxiliar na área quente do restaurante Outback, que funciona dentro do Shopping Metrópole. “Me deram a oportunidade, mas acho que ter feito o curso me ajudou bastante. Gosto de trabalhar aqui e já aprendi bastante”, lembrou o jovem.
Cursos e vagas
Algumas prefeituras da região oferecem cursos de graça. As centrais de trabalho e renda das cidades estão sempre em busca de pessoas para essas áreas. A maioria das oportunidades não pede escolaridade completa, mas conhecimento na área de atuação. A faculdade é exigida apenas em restaurantes e hotéis de grandes redes.
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