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03/07/2010

Passeio místico

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Divulgação Passeio místico
Miguel Diaz é argentino filho de pais paraguaios, nascido na região do Chaco. É um personagem que poderia existir tal e qual hoje há uns 40 anos. Com boina encardida, calça jeans desbotada, coletinho e uma barbicha, é um hippie na aparência e na essência. Há 21 anos vivendo no Vale do Matutu, em Aiuruoca, uma cidadezinha no sul de Minas Gerais, ele guia turistas pelas lindas trilhas da região. Imagine um Chico Bento Hare Krishna.

Os moradores no lugar são mais ou menos assim. O ambiente rural se mistura à atmosfera mística. Desde 1984, quando a primeira comunidade, digamos, esotérica descobriu Aiuruoca, o Vale do Matutu virou uma roça zen. Os forasteiros foram chegando e dizendo que o cenário natural incrível seria um ponto energético único. Isso porque os dois picos rochosos que marcam o início do vale, as pedras do Papagaio e da Cabeça do Leão, formariam uma espécie de portal, entrada para um universo paralelo de comunhão com a natureza, de meditação e de trabalho comunitário seguindo filosofias orientais.

A paisagem natural reforça o misticismo. Desculpem o clichê, mas há algo de paradisíaco no ar, que faz bem à alma. Os campos são enfeitados por samambaias enormes e muitas pequenas flores espalham-se por todos os caminhos. Cachoeiras de tamanhos variados lavam e refrescam mais que apenas o corpo, recarregando também as baterias do espírito. Aiuruoca está num ponto quase equidistante entre Rio (320km), São Paulo (350km) e Belo Horizonte (410km), porém, ainda permanece quase um segredo, sendo conhecida apenas por ecoturistas, praticantes de ioga místicos e esotéricos e fãs como a atriz Isis Valverde, que nasceu nessa pacata cidade mineira.

Fim de semana
Aiuruoca é um roteiro perfeito para um fim de semana prolongado. Com pousadas agora mais confortáveis e boa comida, o excelente acervo de trilhas e cachoeiras da região não vai demorar para entrar definitivamente no mapa do turismo de aventura do Brasil.

A zona rural concentra boa parte dessas atrações. O contato com a natureza tem um gostoso tempero caipira, com pitadas de misticismo. No Vale do Matutu, ponto de partida para várias caminhadas, estão as melhores e mais charmosas pousadas, as comunidades esotéricas e muitos sítios, que servem comida caseira, produzem queijos e cachaças.

A Reserva Natural Matutu reúne 19 dessas propriedades que formam a Reserva Particular do Patrimônio Natural. Para explorar a região é fundamental a contratação de guias, que são indicados pelas pousadas e também podem ser encontrados numa antiga sede de fazenda conhecida como Casarão do Matutu, logo na entrada do vale. Há várias bifurcações nas trilhas, muitas vezes em mata bem fechada. É fácil se perder.

Para chegar à Cachoeira do Fundo, a mais alta da região, com 130 metros, é preciso encarar uma trilha moderada. São cerca de duas horas de caminhada, com alguns trechos íngremes e travessia de riacho. Na vegetação de mata atlântica que revela pequenas flores o que mais chama a atenção são enormes samambaias, já na parte final do caminho, de onde se avista a bonita queda d’água. Os poços são pequenos, mas agradáveis para um bom banho gelado.

Mergulho e rapel
Há várias cachoeiras de acesso mais fácil no Matutu, como a das Fadas, alcançada por uma curta trilha. Vale a pena encarar os 20 minutos de caminhada para se chegar à Cachoeira do Batuque, com 25 metros de queda, sem poço, mas com boas duchas, daquelas que massageiam o corpo. Algumas dessas estão ao longo da estrada de terra de 17 quilômetros que liga Aiuruoca ao vale. Há trechos bem ruins, mas, com calma e paciência, dá para você passar mesmo com carro sem tração.

Quem fica na cidade também dispõe de trilhas e cachoeiras nos arredores, especialmente no Vale dos Garcias. Os melhores poços estão por ali, e também a queda d’água mais linda da região, a Cachoeira dos Garcias, com 30 metros de altura, que forma uma piscina natural deliciosa. Os mais corajosos podem descer de rapel pelas pedras.

O circuito clássico nessa área, nas bordas do Parque Estadual da Serra do Papagaio, pode ser feito em apenas um dia. São várias quedas d'água. Reserve a manhã, quando bate sol, para o Poço do Joaquim Bernardo, um dos melhores lugares para quem gosta de mergulhar.

Para os que dispõem de preparo físico, a caminhada imperdível é a subida de quatro horas até o Pico do Papagaio, o ponto mais alto da região, com 2.100 metros de altitude, e a melhor vista — dá para ver até o Pico das Agulhas Negras. O nome da cidade teria sido originado ali. Aiuruoca significa casa de papagaio e a montanha tem esse nome por antigamente abrigar muitos ninhos dessa ave.

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