Alex Sabino
alex.sabino@diariosp.com.br
Sábado em Mirassol, domingo em Salvador, segunda-feira em Santos, terça no Rio de Janeiro, quarta em Barueri. Carnaval cansativo para qualquer um, mesmo para quem é atleta profissional. Não digam isso a Neymar. Aos 28 do primeiro tempo, ele quase tomou um golpe de judô, escapou e arrancou da defesa. O pique durou até a entrada da área, onde ele deu de bandeja para Ibson fazer o primeiro do Peixe. Foi a abertura da vitória por 2 a 0 sobre o Comercial pelo Paulistão.
Incansável, pediu a bola o tempo inteiro. Apanhou feito gente grande, sofrendo a falta que deu origem ao segundo gol, de Durval. Não foi substituído por Muricy Ramalho e criou quase todas as boas jogadas ofensivas do Alvinegro.
De onde vem tanto fôlego assim? “Jogar futebol é divertido”, resumiu o camisa 11.
Quem o viu festejando a Folia de Momo em camarotes da capital baiana e no desfile das escolas de samba do Rio percebe que, para Neymar, a vida tem sido uma constante diversão.
Caso especial/ Normalmente, um treinador seria reticente em permitir tantas viagens assim ao seu principal astro, no começo da temporada. Muricy sabe que não tem como segurá-lo. Principalmente quando ele atua como nesta quarta-feira. Querer jogar todas é comum no vocabulário dos boleiros. No caso do atacante santista, parece ser realmente verdade.
O Santos poderia ter feito outros gols. Acertou a trave e perdeu outras oportunidades. O futebol foi eficiente, mas não exuberante, a não ser pelos malabarismos de Neymar e alguns belos passes de Paulo Henrique Ganso. Foi mais do que o suficiente.
Até os críticos da defesa tiveram de se calar porque a zaga saiu de campo sem ser vazada. O triunfo, o quarto seguido no estadual, consolidou o time no G-8 do Paulista. Já era esperado. A primeira fase da competição é usada pelo técnico para colocar o time nos eixos para o mata-mata e, principalmente, a Taça Libertadores.
Serve também para Neymar se divertir. E é isso o que ele mais tem feito, tanto dentro quanto fora de campo.
Opinião
Fernão Ketelhuth, editor adjunto de Esportes
Defesa do Peixe dá esperança
Tudo bem que o ataque do Comercial não é assim uma Brastemp, mas o fato de o Santos ter saído da Arena Barueri sem sofrer gol já serve de alento para o torcedor do clube. Por mais que o capitão Edu Dracena se queixe das frequentes cobranças sobre o setor, a verdade é que a defesa alvinegra vinha, sim, bobeando mais do que o aceitável. Do contrário, o Peixe não teria levado gols nas 16 partidas anteriores à desta quarta — a equipe de Muricy Ramalho não passava um jogo sem ser vazada desde a vitória sobre o Vasco, em 6 de novembro, pelo Campeonato Brasileiro.
Claro que o DNA do Santos, como já disse o presidente Luis Alvaro Ribeiro, é ofensivo. Um time que tem Neymar, Borges e Ganso não pode ter a zaga como ponto forte. Mas vale a lembrança de que o Peixe só decolou na Libertadores de 2011 quando encontrou o equilíbrio entre os setores.
Ficha técnica
Santos
4-4-2
Aranha; Fucile (Crystian), Edu Dracena, Durval e Juan; Henrique, Arouca, Ibson (Elano) e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges (A) (Alan Kardec)
T: Muricy Ramalho
Comercial
4-4-2
Alex; Jordã (A), Fabão (A), Leandro Camilo (A) e Rossato (Wellington); Jonílson (Henrique Motta), Ricardo Conceição (A), Carlos Magno e Luís Augusto (A); Henan (Jaílton) e Alex Rafael
T: Márcio Fernandes
PAULISTÃO > 1ª FASE — 9ª RODADA
Onde: Arena Barueri, em Barueri
Juiz: Aurélio Santanna Martins
Gols: Ibson aos 28 do 1º tempo; Durval aos 36 do 2º tempo
Renda e público: R$ 113.025 / 5.100
Santistas comemoram um dos gols contra o Comercial, na Arena Barueri
Copyright Rede Bom Dia de Comunicações 2011. Todos os Direitos Reservados