O bom desempenho do Adriano no coletivo de quinta-feira, quando fez três gols, causou a sensação geral de que a decisão do Corinthians de trancafiá-lo no CT foi acertada. É um sentimento próprio do ser humano: gostamos de eleger vilões, aos quais não damos nem mesmo o direito da liberdade.
Evidente que o Adriano deu motivo para a diretoria corintiana colocar em prática uma medida tão extrema quanto esta. Ele realmente não se cuida, abusa das noitadas, parece incapaz de entrar em forma e ganha um salário incompatível com aquilo que produz dentro de campo. Mas nem por isso merece ser malhado como se fosse o Judas.
Ao confinar o problemático centroavante num hotel, os dirigentes do Corinthians tomaram uma decisão, acima de tudo, egoísta. Só pensaram em recuperar o jogador a fim de inscrevê-lo na Libertadores. Nem lhes passou pela cabeça a ideia de recuperar o ser humano.
Desde a chegada do Imperador ao Parque São Jorge, há quase um ano, sustento a opinião de que o Adriano precisa ser tratado por um psicólogo. Já passou da hora de ele entender que tem problemas sérios e necessita da ajuda de um especialista. Cheguei a recomendar a um amigo que trabalha no Corinthians a contratação de um profissional capaz de compreender o Adriano e orientá=lo. Desnecessário dizer que não fui ouvido.
Repito: o Corinthians tem seus motivos para estar na bronca com o Imperador. Mas, talvez, o jogador estivesse em melhores condições se, no passado, o clube tivesse se preocupado com o ser humano a quem deu a camisa 10, a despeito de seu histórico de confusões.
É melhor cortar o mal pela raiz do que recorrer ao tratamento de choque.
O Santos depende demais de sua estrela mais reluzente
Claro que o time do Santos é bom. Se não o fosse, teria ficado pelo caminho na Libertadores do ano passado. Mas não é tão bom quanto Neymar. A equipe depende demais do camisa 11 e isso ficou claro contra o Botafogo de Ribeirão Preto. No primeiro tempo, Neymar foi mal e o Peixe desceu para o intervalo perdendo por 1 a 0. Nos minutos finais da segunda etapa, quando o futebol do craque apareceu, o Alvinegro deslanchou e conseguiu a goleada. Para buscar o tetra na Libertadores, o Peixe terá de melhorar como equipe.
Palavra de artilheiro
Muitos palmeirenses me perguntam a respeito do time que o Felipão está montando para a temporada de 2012. É inegável que a equipe melhorou. O Barcos é um bom centroavante e o Daniel Carvalho tem conseguido suprir a ausência do Valdivia, que vive se machucando.
Com a chegada do Wesley, que é um jogador versátil, a equipe ganha obviamente em qualidade. Como já tem um time taticamente organizado, o Palmeiras tende a ter uma temporada mais tranquila do que a anterior, quando chegou a namorar com a ameaça do rebaixamento para a Segunda Divisão do Brasileiro.
Mesmo assim, não vejo motivo para os palmeirenses se entusiasmarem demais. A equipe ainda é limitada e não acho que tenha condições de brigar pelo título brasileiro. Faltam, a meu ver, camarões mais graúdos — ou seja, jogadores de maior renome.
Os alviverdes podem argumentar que o Corinthians também não tem estrelas e, apesar disso, foi campeão brasileiro. É verdade. A diferença é que o clube alvinegro tem vários bons atletas, inclusive no banco.
Colaborou Fernão Ketelhuth
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