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Rede Bom Dia

VERSÃO IMPRESSA SEGUNDA-FEIRA
21 MAIO
07/02/2012 21:52

Léo: ‘Não vão conseguir me aposentar'

Alex Sabino
alex.sabino@diariosp.com.br

Todos os atletas do Santos campeão brasileiro de 2002 tinham apelidos.  O de Léo era Julião Petruchio, personagem que fazia sucesso na novela “O Cravo e a Rosa”. Sujeito ranzinza e reclamão. O eterno insatisfeito.

Dez anos depois, o lateral segue fazendo jus à alcunha. Em entrevista ao DIÁRIO,  mostrou-se indignado com o prognóstico de que a lesão no joelho esquerdo o fará perder toda a fase de grupos da Libertadores.

Aos poucos, foi ficando mais inflamado. Especialmente com as afirmações de que os 36 anos pesam e as contusões se acumulam. Em razão disso, estaria nos passos finais da carreira.

Tanta indignação o faz considerar a possibilidade de deixar para depois  a aposentadoria, planejada para o fim desta temporada. E, ainda por cima, trocar de posição. “Se ficarem falando, é o que vou fazer”, jura.

Pelas suas contas, vai se recuperar da artroscopia a tempo de estar em campo na segunda rodada da Libertadores, contra o Juan Aurich, do Peru. Nem cogita ficar fora da campanha do tetra: “Estarei lá”, promete. Confira a seguir a entrevista.

DIÁRIO_ Como foi a artroscopia, Léo?
LÉO_ Correu tudo bem, felizmente. Já comecei a fazer tratamento e vou voltar a jogar mais rápido do que muita gente imagina.

A previsão é de 40 dias?
Claro que não! As pessoas imaginam as coisas e ninguém me perguntou nada. O prazo é de 25 dias. Quero retornar na primeira semana de março.

Por que se falava sobre a possibilidade de você ficar fora de toda a fase de grupos da Libertadores?
Não tem nada disso. Posso voltar na segunda ou terceira rodada. Eu já estou dobrando a perna, para você ter ideia. Sempre me recuperei rápido.

Você está bravo com isso, Léo? 
Sabe qual é o problema? As pessoas falam sem saber. Tem garoto de 23, 24 anos no elenco que fica sete, oito partidas sem pisar no campo e ninguém fala nada. Quando o Léo fica uma vez fora, é porque está velho, tem 36 anos, vai parar de jogar... Querem me aposentar, mas não vão conseguir.

Mas você já decidiu que vai pendurar as chuteiras no final do ano, não é?
É uma coisa que está na minha cabeça, mas não tem nada certo. Se eu estiver me sentindo bem no final do ano e ficarem falando (criticando) muito, posso conversar com  Muricy e continuar. Posso pedir para ser deslocado para o meio-campo, onde o atleta corre menos.

Acha que as críticas que recebe são por ser o mais velho do elenco?
É muita conversinha. Essa artroscopia foi a primeira cirurgia da minha carreira. Aos 36 anos! Fui um dos que mais jogaram em 2011 (50 partidas). Quem atuou mais vezes? Acho que só Rafael, Durval e Neymar. Quando tenho qualquer problema, vem essa história novamente de que o Léo se machuca muito. Como pode isso?

Mas de onde veio essa lesão? Não era algo que poderia ser tratado nas férias?
Estava me sentindo bem. No Mundial, comecei a ter algumas dores, mas conseguia jogar normalmente. Queria tanto ajudar que achei ser possível continuar assim. Só que, diante do Oeste, deu problema no menisco e tive de parar.

Depois do que aconteceu na final do Mundial, a vontade de voltar ao Japão neste ano é ainda maior?
Muito maior. Temos fome de ganhar a Libertadores mais uma vez e ter outra chance de conquistar o Mundial. Perder daquele jeito foi muito difícil, mas queremos tentar de novo.

Foi mostrado um vídeo no qual você diz “vamos lá ver se esse Barcelona é isso mesmo” (a declaração foi feita durante a festa pelo título da Libertadores). Como viu isso?
Normal. Eu paguei para ver. Era um risco calculado, mas engraçado é que muito torcedor que tirou sarro não conseguiu chegar lá (no Mundial). Faz parte. Tinha confiança no nosso time, mas, infelizmente, não deu.

E por que não deu?
Porque eles não nos davam a bola para jogar. É simples. A gente queria atacar, mas eles estavam com a bola o tempo inteiro e controlaram a final. Na verdade, acho que os brasileiros são muito prepotentes no futebol. Sempre acham que são os melhores  do mundo. E não  o são já faz algum tempo. As pessoas precisam perceber isso.

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