Se bem espremido o clássico de Presidente Prudente, pingarão três gotas douradas e uma de prata: o centésimo gol da carreira de Neymar, presente do amigo fiel Ganso no aniversário de 20 anos do craque; os dois do Palmeiras, na virada espetacular no finzinho da partida; e aquela arrancada de Daniel Carvalho, logo depois de sua entrada no lugar de Valdivia.
Isso porque o clássico, em si, foi, na maior parte do tempo, um tédio cultivado no eterno pega-pega no meio de campo, sem brilho nem emoção.
O calor, o estágio ainda incipiente da preparação física dos dois times, sobretudo o do Santos, e a própria formação das duas equipes – cada uma com três volantes e os laterais presos mais na marcação do que soltos ao ataque – estavam na raiz dessa longa monotonia.
Mas nada disso diminui a importância da conquista alviverde, uma forte injeção de moral para uma equipe tecnicamente limitada, mas com disposição sem limites.
LÍDER TRICOLOR/ A estreia era de Jadson, mas o nome do jogo que devolveu a liderança ao São Paulo, em Campinas, foi o de William José, o menino que entrou no lugar de Luís Fabiano sob toneladas de suspeitas. Pois o garotão marcou um contra o Guarani, outro dia, e mais dois neste domingo, contra a Ponte Preta, na vitória de seu time por 3 a 1.
Não, não é um Luís Fabiano, mas William José é centroavante por talhe e vocação; portanto, utilíssimo.
E Jadson? Foi assim, assim, normal, pelas circunstâncias.
Não é um Gérson, um Zizinho, um Pedro Rocha. Não, nada disso. Mas sabe jogar e organizar seu time, o que virá com o tempo.
TIMÃO, MENOS/ O Corinthians perdeu não só os 100% de aproveitamento no Paulistão, como a própria liderança do torneio, ao empatar por 1 a 1 com o Bragantino, num Pacaembu a meia-boca.
Com muitas alterações na sua equipe principal, o Timão tomou um gol logo de início e passou o resto do tempo tentando furar a retranca bragantina, o que conseguiu apenas uma vez, num disparo longo e certeiro de Cachito Ramírez.
Pouco, mas nada desesperador.
PAULISTA, EM VEZ DA LUSA/ A Portuguesa, de tantas expectativas pela magnífica campanha mostrada na Segundona do Brasileirão do ano passado, perdeu dois jogadores vitais – Marco Antônio e Edno – e ainda não teve tempo para se reorganizar com os novos contratados, nenhum deles, na verdade, no nível técnico dos que saíram.
Resultado: mais um empate, sábado, desta vez diante do Ituano, que chegou a dominar a Lusa durante a maior parte do confronto.
Em contrapartida, o Paulista de Jundiaí começa a despontar como a sensação do torneio, até aqui. E o que mais anima o técnico Sérgio Baresi é que, numa tarde como a de sábado, em que nada dava certo diante do Catanduvense, que cortava e dava de mão, o Paulista conseguiu prodigiosa virada por 3 a 1, assim, ó, de repente. E com um jogador a menos.
Isso quer dizer: se nessas circunstâncias tão adversas consegue tal proeza, que dirá jogando bem, como o vinha fazendo nas rodadas anteriores?
Na linha do gol
Parecia cena de comédia italiana dos anos 60, protagonizada, digamos, por um Tognazzi e um Sordi. Numa parada do jogo entre Milan e Napoli, no San Siro, Nocerino discutia com um adversário, quando Ibrahimovic aproximou-se e fez o gesto de quem iria apenas colocar o braço direito sobre os ombros do companheiro.
Fez isso e aproveitou o movimento para desferir um sopapo na face do napolitano, que, no ato, respondeu com um tabefe no rosto de... Nocerino, que pagou pelo que não fez. Ibra foi expulso e o Milan não conseguiu ir além de um empate por 0 a 0, num jogo em que a maior oportunidade esteve nos pés de Robinho, que, cara a cara com o goleiro, chutou junto ao poste.
Se, na Espanha, Real e Barça passaram opacamente pelos seus respectivos adversários – Getafe e Real Sociedad —, na Inglaterra, a bola pegou fogo neste fim de semana. No sábado, o Arsenal, que vinha oscilando nesta temporada, pegou no breu e deu um show no Emirates: 7 a 1 sobre o Blackburn, com três gols de Robin Van Persie, esmerilhando. E, no mais esperado da tarde, mais um de Henry, no último segundo, em gesto de absoluta solidariedade do artilheiro holandês.
E, no domingo, em pleno Stamford Bridge, o Manchester United perdia por 3 a 0 para o Chelsea, já no segundo tempo, quando, de repente, dois pênaltis em seguida (o segundo foi mandrake), convertidos por Wayne Rooney, viraram o jogo de ponta-cabeça. O empate, com Chicharito, veio na esteira da pressão dos Diabos Vermelhos, que quase chegam à virada antes do apito final. Um espanto de um futebol jogado sempre até o fim.
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