Proponho um desafio aos leitores da coluna que, assim como eu, não vivem sem um joguinho ou um jogão de futebol. Ainda é possível encontrar algo de novo, diferente, ousado no ludopédio que se pratica por aqui? Ou estamos condenados a ver times clones uns dos outros, com muita correria, marcação e quase nada de talento e criatividade?
Admito que já fui mais otimista. O time do Santos de 2010, com Ganso e Neymar jogando o fino, Robinho ainda relevante e um estilo de jogo ousado, agressivo, contundente, me fez acreditar que existia um antibiótico para frear a doença do exército de volantes, marcação, composição e táticas tipo linha de ônibus, essa praga do 4-2-3-1 e afins.
Mas durou pouco. O próprio Santos campeão da Libertadores já foi um time muito diferente. Muito menos empolgante, embora competente e vencedor. Assim como o Corinthians campeão brasileiro e mesmo o Vasco, vencedor da Copa do Brasil. Estão longe de serem times ruins, mas são equipes que dificilmente serão lembradas em dez, 15 anos. Tampouco serão copiadas, imitadas.
Acho que nosso futebol vive uma entressafra das bravas. Ainda há talento, mas a quantidade foi reduzida de forma brutal. Hoje, produzimos em escala industrial um tipo de jogador onipresente: o volante pegador. Aquele tipo de preparo físico de maratonista, força de lutador greco-romano e disciplina militar. O jogador tipo artesanal, aquele de toque refinado, que pensa, conduz o jogo, esse rareou. Para não dizer que sumiu, tem o Ganso — que, infelizmente, parece mais preocupado com transferência do que em jogar bola — e alguns persistentes veteranos.
Outro tipo de jogador raro, que não se produz em larga escala, o atacante atrevido, driblador, instintivo, é o Neymar. Felizmente, esse já é uma realidade.
Vi a Copa São Paulo e fiquei decepcionado. Desde muito cedo as tais fábricas de jogadores despejam o mesmo perfil de atleta e pouco ou nada de jogador. Enquanto os treinadores pensarem apenas em vencer, não importa de que maneira, e os dirigentes seguirem acreditando que vale a pena pagar fortunas para treinadores e comissões para empresários, em vez de acreditar na base, nos fundamentos técnicos, no cuidado artesanal, viveremos disso aí. Correria, dedicação, entrega e mesmice.
Legião campineira
Só uma coisa separa os quatro grandes nesse início de Paulistão: a região de Campinas. Entre São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, há um bloco de times da região campineira. Bugre, Macaca, Paulista e Mogi Mirim são os intrometidos. Resta saber quem terá fôlego para ficar por ali até o fim da primeira fase.
Chance perdida
Poucos jogadores do chamado time B do Santos aproveitaram a oportunidade recebida neste início de temporada. Alan Kardec é um deles, mas, desde o ano passado, ele já mostrava que poderia ser útil. Felipe Anderson teve bons e maus momentos. Fora isso, entre titulares e reservas há uma Serra do Mar de diferença.
Ganância ou burrice?
Custo a acreditar que um dirigente de time pequeno pense, realmente, que vá lotar estádio cobrando R$ 80 e R$ 150 por um ingresso. Não seria melhor cobrar um pouco menos e ganhar na quantidade? Porque, atualmente, os grandes chamam a atenção muito mais pela camisa do que pelas atrações propriamente ditas.
Nó tático
O calendário do palmeirense ainda não estreou a folhinha de 2012. Em campo, o time parece continuar em 2011, martirizando seu torcedor com um time burocrático, que repete erros inacreditáveis de posicionamento e passes e já começa a colecionar empates, que foram a cara da equipe no último Brasileirão.
De quebra, a diretoria segue dando mostras de um amadorismo sem fim, como a contratação do argentino Barcos. O Pirata veio, treinou e ainda não assinou contrato nem foi apresentado oficialmente.
Mas há sinais de que pode ocorrer alguma melhora. Com Valdivia, o time fica, obviamente, mais criativo. Assim que entrar em forma, Daniel Carvalho será titular e pode aprimorar o toque de bola da equipe, um dos pontos fracos. Barcos é bom centroavante e tem tudo para transformar em gols o que Ricardo Bueno e Fernandão costumam perder. O zagueiro paraguaio Román é uma incógnita. Alternou bons e maus momentos na carreira.
Não se discute a qualidade e a competência de Felipão, mas seus times seguem um esquema de jogo praticamente imutável, privilegiando a marcação no meio de campo e apostando num centroavante definidor e em bons jogadores de lado.
Dos quatro grandes paulistas, o Palmeiras começou 2012 como terminou 2011, sendo o mais limitado tecnicamente. Resta saber se isso mudará a ponto de recolocar o time em seu verdadeiro lugar: de protagonista.
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