30/01/2012 21:28

Sheik não descarta defender seleção do Catar


Emerson não descarta fazer mais um jogo pela seleção do Catar / Nelson Coelho/Diário SP


Lucas Bettine
lucas.bettine@diariosp.com.br

Emerson é um dos jogadores mais celebrados do Corinthians. A torcida se encantou com a vontade dele em campo e muitos o consideram um atacante de seleção. E eles estão certos. O Sheik, realmente, é de seleção. Mas não a brasileira. Cidadão do Catar desde 2008, o camisa 11 do Timão já fez um jogo pelo selecionado do país. E não descarta repetir a dose.

“Tenho carinho muito grande pelo país. Não sei responder agora, é um pouco difícil de dizer, mas, se me ligassem oferecendo uma convocação, eu pensaria seriamente em aceitar”, revelou o atacante, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO.

O carinho de Emerson com o Catar é recíproco. Com duas passagens de destaque pelo Al-Sadd, o jogador é adorado por torcedores e dirigentes. Ainda desconhecido no Brasil, o Sheik atendeu ao pedido dos cartolas e se naturalizou catariano em 2008. No mesmo ano, em 26 de março, enfrentou o Iraque pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul.

Apesar do bom desempenho na vitória por 2 a 0, Emerson nunca mais foi convocado. Os adversários reclamaram que ele já havia disputado uma partida com a seleção sub-20 do Brasil. Na ocasião, a Fifa entendeu que o jogador não poderia, de fato, atuar pelo Catar. Contudo, em situação semelhante, Thiago Motta defendeu uma seleção de base brasileira e, mesmo assim, entrou em campo pela Itália no ano passado.

“Infelizmente, o Emerson fez um jogo só porque descobriram que ele já havia defendido a seleção brasileira de base. Na ocasião, logo depois da partida diante do Iraque, falaram que havia esse impedimento e eu não consegui convocá-lo novamente. Foi uma pena”, disse o uruguaio Jorge Fossati, técnico responsável pela convocação do atacante. 

Lembranças/ Apesar de pouco falar sobre o assunto, Emerson guarda com carinho o jogo que fez pela seleção do Catar. Tanto que, em sua casa, ainda tem lembranças do duelo.

“Tenho lembranças daquele jogo, sim. Eu tenho a camiseta e o uniforme guardados na minha casa. Por todos os times pelos quais passei, incluindo a seleção do Catar, guardei lembranças com muito carinho”, garantiu o atacante alvinegro.

Com todo esse sentimento, quem sabe o corintiano não veja o atacante na próxima Copa do Mundo, no Brasil, em 2014. Não com a camisa amarela, como ele desejaria, mas com o uniforme vinho que está guardado no coração do Sheik.

Entrevista
Emerson_ Atacante do Corinthians

‘Não fiquei arrependido do que fiz’

DIÁRIO_ Você ainda era desconhecido no Brasil quando jogou pelo Catar. Bateu um arrependimento depois, ao ganhar espaço no futebol brasileiro e sonhar com a seleção do seu país de nascimento?
EMERSON_ Não fiquei arrependido do que fiz. Boa parte do que conquistei na minha vida foi no Catar. Tanto na questão de amizades quanto na parte financeira. Tudo aconteceu naquele país. Aqui no Brasil, eu não sabia o que poderia acontecer com a minha carreira.

Como aconteceu esse processo de naturalização?
Eu tenho um relacionamento muito bom com o xeque dono do país (Mohammed Bin Hamad). Tinha um contrato longo com o Al-Sadd, ele me falou sobre essa possibilidade de tirar a cidadania e jogar na seleção do Catar. Eu gostava de lá e aceitei sem problema.

Você se lembra da única partida que fez pela seleção?
Lembro, sim. Foi contra o Iraque, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul. Ganhamos por 2 a 0, com dois gols do Fábio Montezine, atacante brasileiro que ainda está muito bem lá no Catar.

Depois de tanto tempo, você ainda mantém contato com alguém da seleção?
O Fábio é meu irmão, um cara muito gente boa e faz muito sucesso lá no Catar. Tinha uma relação muito boa com ele.

Por que você nunca mais foi convocado para disputar uma partida pela seleção do Catar?
Na época, me falaram que eu já tinha defendido a seleção de base do Brasil em um outro campeonato e não poderia mais ser convocado para jogar pelo Catar. Foi isso o que disseram.

Mas, hoje em dia, essa regra é um pouco diferente. O Thiago Motta (volante da Inter de Milão), por exemplo, defendeu uma seleção de base do Brasil e, mesmo assim, jogou pelo time principal da Itália no ano passado.
Isso é verdade, cara. Aliás, essa situação é bastante complicada, mesmo. Hoje, eu sei de pelo menos uns dois ou três jogadores na mesma situação  que jogam por seleções de outros países sem problema. Na época, eu joguei, reclamaram e não me deixaram mais jogar. Eu tive de aceitar essa ordem. 

Você pretende ir atrás dessa situação para saber se pode ou não vestir a camisa do Catar mais uma vez?
Cara, como eu disse, essa situação é bem complicada. Para falar a verdade, nem eu sei direito o que acontece. É difícil de responder. Comigo, usaram um critério, mas existem outros com situação semelhante, como eu falei, que estão jogando. Só sei que o meu carinho pelo país é muito grande. De verdade.

Opinião

Jorge Fossati, treinador do Al-Sadd e ex-técnico do Catar

Todos são fãs do Emerson no Catar
Emerson fez grandes apresentações defendendo o Al-Sadd e deixou muito boa impressão e lembranças positivas para os torcedores. A diretoria do clube também adora o jogador, pela qualidade do futebol apresentado nas duas passagens por aqui. Tanto que tirou a dupla cidadania e eu o convoquei para defender a seleção do Catar. Mas descobriram que ele já havia defendido a seleção brasileira de base. Os adversários reclamaram e não pude mais convocá-lo. Agora, acho até que esse impedimento não existe mais.

Aqui, ele sempre apresentou esse futebol em alto nível, mas o torcedor brasileiro só foi conhecê-lo quando ele voltou para o país. Foi bem no Flamengo, no Fluminense e no Corinthians. Sempre em alto nível. Os dirigentes do Catar sempre acompanham o desempenho dele. Fiquei sabendo que foram atrás para tentar contratá-lo novamente há pouco tempo. Ele recusou e preferiu ficar no Corinthians, mas não descarto outra tentativa. A possibilidade de ele voltar está sempre aberta.

Sem contar que o Catar vai sediar a Copa do Mundo de 2022 e eles estão motivados em melhorar o nível da seleção nacional. Importar jogadores do Brasil ajuda nesse crescimento. Eles têm todos os meios econômicos para contratar e fazer um grande Mundial.  


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