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Rede Bom Dia

VERSÃO IMPRESSA SEGUNDA-FEIRA
21 MAIO
24/01/2012 00:01

É muito cedo para se fazer previsões

Há um personagem no mundo do futebol que me irrita. Travestido de jornalista, jogador, dirigente, técnico e torcedor, é aquele sujeito que sempre enxergou antes do que os outros e pôde prever o surgimento de um grande time, de um baita jogador. O tipo que em junho enche o peito e afirma: “Eu tinha dito que esse time seria campeão”. Ou então: “Já tinha visto esse moleque jogar, estava no primeiro treino dele e disse que seria um grande craque”.

Puro chute ou exercício de arrogância. Com duas semanas de treinamento e um jogo oficial, é impossível dizer se uma equipe terá ou não um grande ano. É tudo chute. Mas, como o futebol aceita todas as teses, vamos tirar o clima de pré-temporada também dos debates.

Os quatro grandes times paulistas, que são o motor do campeonato estadual, apresentam perfis distintos. Até porque a grana anda curta e, portanto, o mercado não se mexeu muito.

A GRANA ESTÁ CURTA/ Apenas um contratou em quantidade, o São Paulo. Qualidade, que é o que importa, apenas Jadson. E, claro, Nilmar, se for confirmado. Esse, sim, pinta como a grande contratação até agora. O Santos aposta numa base que trouxe resultados e nos craques, principalmente em Neymar, já que Ganso gera mais perguntas do que respostas. Resta saber se o remédio para os problemas defensivos será administrado com receita caseira.

O Corinthians também gastou pouco e não trouxe nada de impacto. Tem uma boa base, mas ainda deveria buscar um diferencial no meio de campo e nas laterais, pensando em Taça Libertadores. O Palmeiras fez uma contratação de impacto, o centroavante argentino Hernán Barcos, e também algumas apostas, como todos os outros.

Tempo ao tempo/ Enfim, nada que entusiasme imediatamente, mas são situações que podem evoluir para equipes com bom potencial a partir do terceiro mês da temporada, quando a coisa começa a engrenar.

Infelizmente, o interior segue sendo um território explorado por empresários e coalhado de times que apenas alugam suas camisas, salvo uma ou outra exceção. Se a grana anda curta para os gigantes do futebol brasileiro, para os pequenos o aperto é ainda maior.


S.O.S feminino
É um pecado o que fazem com o futebol feminino no Brasil. Clubes gastam dinheiro com periguetes e pseudocelebridades apenas para fazer barulho e não investem em projetos para as garotas jogarem. Não precisa ser no nível financeiro do masculino, mas já passou da hora de implantar um projeto sério.

Desafio da seleção
Ganha um doce da coluna quem conseguir escalar um time base do Brasil para o torneio olímpico de futebol deste ano, em Londres. Leva uma sacola de doces quem for capaz de imaginar o time base da seleção principal. 2012 é um ano-chave. Nei Franco avançou mais com o time olímpico, porém, do que Mano com os medalhões.

De olho no apito
Será uma temporada importante para a criticada arbitragem brasileira. Os grandes nomes ou aposentaram o apito ou estão em vias de. A renovação não tem sido auspiciosa. Alguns dos melhores do ramo agora estão do outro lado da tela, comentando. O grande problema segue sendo a falta de uniformidade nos critérios.

Nó tático
Mudam as cores, mas o discurso é sempre o mesmo. De um lado pedem camarões, do outro, medalhões, mais ali confiabilidade, acolá, compromisso e entrega, noutro canto tem de chegar para trabalhar.

Se há um ponto em que os treinadores de futebol do Brasil concordam, é na hora de pedir contratações para suas diretorias. Será que estaremos por aqui para ouvir uma declaração de técnico consagrado afirmando estar satisfeito com o que tem e vai trabalhar para melhorar jogadores, revelar valores ou algo assim?

Aos poucos o senso comum do futebol vai sendo alterado e os treinadores perdem a aura de milagreiros. Alguns parecem acreditar que realmente possuem essa conexão com o invisível. Até porque são revestidos de superpoderes pelos dirigentes, amadores de carteirinha na maioria.

Aí eu me lembro do Guardiola, melhor técnico do mundo na atualidade, respondendo a um repórter brasileiro que falava da surrada história do poderio econômico do futebol europeu. Disse o comandante do Barça que seu time tinha nove jogadores revelados na base. Enquanto isso, o campeão brasileiro, o Corinthians, tinha apenas um.

Comer camarão todo mundo quer. Agora, pergunte se alguém topa pescar?

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