Assis José Vicente, 64, zelador " ‘Não, esqueço de ver o resultado’ "
“Não, sempre me esqueço de conferir o resultado dos sorteios. Nas poucas vezes que joguei, nem sei se ganhei. Não sou uma pessoa sortuda, tudo o que tenho consegui com o meu esforço e trabalho.”
Tiago Silveira, 23, estudante " ‘Não, mas minha namorada joga‘ "
“Não, mas minha namorada joga quase sempre. Acredito que com o prêmio acumulado em R$ 70 milhões ela vai apostar. Eu não tenho muito tempo para pensar em loteria e depois conferir os números sorteados.”
Davilson Santos, 57, autônomo " ’Sim, se conseguir dinheiro jogo‘ "
“Sim, sempre que tenho dinheiro eu jogo. Desta vez se conseguir juntar um trocado até o horário limite vou fazer uma fé. Com o valor do prêmio a vida de qualquer um pode mudar de uma hora para outra.”
Vera Lúcia Campos, 57, dona-de-casa " ’Não, é um jeito ruim de gastar‘ "
“Não, é um jeito ruim de gastar dinheiro. Conheço muitas pessoas que jogam, mas eu não tenho sorte e prefiro aplicar dinheiro em outras coisas. Não confio nos sorteios das loterias e nem em outros jogos.”
A guerra quase ideológica entre fumantes e não fumantes ainda está longe de chegar ao fim quando o cerne da discussão são os direitos individuais.
Se, por um lado, há quem use como argumento o livre arbítrio para fazer com o próprio corpo o que bem entende, numa crítica ácida aos patrulhadores de plantão, por outro há os que defendem com unhas e dentes a qualidade do ar que respiram.
Este segundo grupo é formado, geralmente, pelos fumantes involuntários, obrigados, até pouco tempo atrás, a engolir fumaça nos lugares públicos.
A questão, no entanto, não é apenas comportamental. O cigarro se transformou num dos mais graves problemas de saúde pública do mundo. É o causador de doenças fatais, que debilitam e matam.
A boa notícia é que o patrulhamento, seja por meio do cara mala da mesa do bar ou de leis antifumo, está, sim, dando bons resultados.
Em 20 anos houve uma queda de 32,4% para 17,2% no índice de fumantes acima de 15 anos de idade no Brasil e, por consequência, em Jundiaí. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) em parceria com o Inca (Instituto Nacional do Câncer).
Evitar os primeiros contatos com o cigarro, sejam motivados pela curiosidade ou pela ideia de status que o ato de fumar ganhou num passado recente, celebrizado, inclusive, pelo cinema, deve ser meta constante.
Isto porque, estudos provam que fumar é um dos vícios mais difíceis de abandonar, perdendo até para a cocaína, por exemplo, mesmo quando a morte é um risco. Apenas entre 30% e 60% dos fumantes com diagnóstico de câncer, por exemplo, conseguem deixar o fumo.
Por isso, mesmo considerados chatos, os patrulhadores antifumo têm feito um grande bem para a humanidade.
A Lei Antifumo, aprovada em São Paulo há pouco mais de um ano, deu mostras que fumar está fora de moda. E que fumante algum tem mais coragem de arriscar acender um cigarro onde há não fumantes por perto. E muitos começam a achar constrangedor procurar fumódromos do lado de fora de bares e restaurantes.
É o vício sendo apagado aos poucos.
Em encontro de fim de semana com alguns amigos, conversando sobre a campanha eleitoral, acabamos expondo as respectivas opiniões sobre o que seria, hoje em dia, a posição política de esquerda sobre a composição do nosso povo.
Recordamos as posições históricas, desde que os antimonarquistas ocuparam o lado esquerdo do plenário da Assembléia Nacional Francesa.
Os esquerdistas sempre tratam de relacionar esquerda com progresso, desenvolvimento, atendimento das reivindicações populares. Com o advento dos partidos comunistas, passou-se a considerar povo apenas os assalariados, os camponeses e outros setores menos atendidos da população.
Hoje, ante os magnos resultados obtidos por suas políticas de Reforma e Abertura, vem da China uma nova compreensão dos setores que compõem o povo numa economia de mercado socialista, sistema que prima por priorizar educação, ciência, tecnologia e capital como fatores essenciais ao desenvolvimento de uma nação.
Na China atual, compõem o povo não apenas os assalariados e os camponeses, mas até os setores mais ricos da população dedicados ao empreendedorismo, ou seja, responsáveis pela geração de empresas e empregos, por mais produção e maior produtividade. É como dizia Deng Xiaoping, o líder reformista chinês pós-Mao: “Preto ou amarelo, não importa a cor do gato; o que interessa é que cace os ratos...”
Quando será que os nossas esquerdas deixarão de ter uma compreensão menos estreita sobre a composição do nosso povo?
Jayme Martins é jornalista
A recente conquista do nono título da Liga Mundial de Vôlei torna a seleção brasileira a maior ganhadora da modalidade no planeta e Bernardinho, o técnico esportivo de maior sucesso no país. Tal performance, que neste momento pretere as chuteiras e suscita o advento da “Pátria de Joelheiras”, justifica análise comparativa com o time de Dunga, eliminado prematuramente na Copa da África do Sul.
Bernardinho não colocou em quadra o melhor jogador de vôlei do mundo, Giba, porque não estava em plena forma; deixou na reserva o próprio filho, Bruninho; e disputou a competição com os melhores atletas que dispunha no momento, sem levar em conta sua idade. Até parece a antítese do time de Dunga, que havia vencido a Copa América e a Copa das Confederações, mas fracassou no objetivo principal do hexacampeonato.
A breve avaliação tem analogia com a economia brasileira, que, a exemplo do time de Dunga, tem conquistas importantes, mas encontra dificuldades para consumar a meta maior do desenvolvimento. Os obstáculos referem-se a problemas crônicos, como juros altos, cujo recrudescimento decorre da consciência, por parte do Banco Central e do Copom, quanto às impossibilidades de o Brasil suportar expansão do PIB próxima ou superior a dois dígitos.
É decisivo entender os porquês da limitação: deficiência da infraestrutura, que reduz a capacidade de movimentação de cargas e encarece os fretes; má qualidade do ensino público, cujos reflexos são a exclusão social e o apagão de mão de obra; impostos muito elevados; e o desequilíbrio fiscal do Estado. São prementes as soluções, por meio das reformas tributária, fiscal, previdenciária, trabalhista e política, lembrando: toda vez que se criam condições adequadas à prevalência de suas virtudes, o Brasil é vencedor. Se alguém dúvida, pergunte a Bernardinho e ao seu time eneacampeão!
João Guilherme Sabino Ometto é vice-presidente da Fiesp, presidente do Grupo São Martinho e membro do Conselho Universitário da USP
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