Rafael Henrique, 15 anos, estudante " Ainda estou pensando "
“Estou muito desconfiado e ainda estou pensando no que aconteceu com os caras lá do Sul. Se fosse eu que tivesse ganho e perdido ao mesmo tempo, acho que quebraria tudo de desespero. A esperança estava na mão e sumiu.”
Luciana Silva, 31, funcionária pública " Não pensei a respeito ainda "
“Não pensei a respeito ainda. Não tenho o hábito de apostar muito em loteria. Mas depois do caso dos gaúchos que perderam o prêmio milionário, eu tenho a certeza de que não compraria um bolão pronto.”
Luciana Damásio, 32 anos, vendedora " Tem coisa por debaixo do pano "
“Confesso que fiquei um pouco desconfiada sim depois que saiu a reportagem do bolão furado no Rio Grande do Sul. Dá para perceber que tem coisa debaixo do pano. Eu nunca comprei um bolão. Agora, então...”
Youhanna Inete, 34, técnico de futsal " Desde o caso João Alves e os anões "
“Sim, desde o caso João Alves e o escândalo dos anões que as loterias perderam toda a credibilidade. Isso manchou o sistema lotérico do país. O que é uma pena. A gente achava que tinha seriedade. Não aposto mais.”
2010 não começou bem para a América Latina. Depois da tragédia do terremoto
no Haiti, em janeiro, com um saldo de mais de 200 mil mortos, outro abalo
sísmico atinge a região com um saldo de mais de 700 mortos no
Chile.
Apesar do curto espaço de tempo, vale lembrar aos pessimistas de
plantão, que gostariam de apontar esses eventos como causa da intervenção humana
na natureza, que qualquer relação entre os dois eventos é só
especulação.
Eventos de abalos sísmicos são comuns, fazem parte da
dinâmica da crosta terrestre. Por ano, entre 12 e 16 tremores acima de oito
graus acontecem.
Felizmente, a maior parte ocorre em áreas desabitadas,
geralmente no oceano.
A sensação de que mais terremotos estão acontecendo
é fruto da melhoria da comunicação entre as diversas partes do globo. Nesta
quinta um terremoto que acontece em qualquer lugar habitado do planeta é
instantaneamente conhecido em todo o mundo.
De qualquer forma, é uma
fatalidade que um mesmo continente sofra duas catástrofes de tais proporções em
tão pouco tempo.
O Brasil está agindo corretamente e nos dois casos se
propôs a ser um catalisador da ajuda humanitária.
Um país que pretende
assumir nas próximas décadas um papel de condutor nas ações mundiais precisa
começar a dar exemplos de solidariedade e ajuda aos mais
necessitados.
Nosso país entendeu este papel, o que por sinal não é muito
difícil para o nosso povo, que está tão acostumado a ser prestativo e
solidário.
O problema é que nessas horas a política partidária acaba
interferindo e alguns brasileiros começam a contestar a ajuda
internacional.
O argumento é que antes de ajudarmos um país estrangeiro
deveríamos ajudar os brasileiros.
É um argumento rasteiro e sem sentido.
Felizmente, as piores tragédias vividas pelos brasileiros não chegam aos pés
desses dramas internacionais.
Temos de ser solidários e mostrar que a
ordem mundial deste milênio será feita pela cooperação e ajuda, e não pela
força. E, assim, o Brasil se credenciará para estar entre os primeiros países do
globo.
Bauru chega em 2010 com o dever de crescer de forma correta. A estagnação resultante de gestões anteriores obriga a atual administração a aproveitar o momento do Brasil e colocar Bauru entre as cidades mais importantes do país.
Crescer somente não é o suficiente. Mas crescer com planejamento urbano proveniente de urbanistas especializados dentro da prefeitura. Temos exemplos próximos em cidades como Londrina e Maringá no Paraná, altamente urbanizadas e organizadas, com uma legislação de construção adequada, e um paisagismo que faz a diferença.
Mas quando temos uma legislação muito aberta como a da Prefeitura de Bauru com área permeável reduzida, possibilidade de ausência de recuos e ainda contamos projetos mal resolvidos sem bom senso por parte dos arquitetos contratados ou dos proprietários que visam somente ocupação máxima de solo, corremos o risco de ter resultados como o da avenida Afonso José Aiello, ligação direta entre avenida Getúlio Vargas e condomínios residenciais fechados da zona sul. Uma construção colada na outra com recuos diferentes, bem ao estilo de assentamentos urbanos desordenados. Um péssimo início para uma avenida que pretende ser bela.
Nesse sentido é que reforço a atenção de todos para o crescimento. Todos bauruenses querem ver uma cidade organizada, bela e que funcione. Que as autoridades dêem a atenção necessária para que isso ocorra. Que arquitetos e iniciativa privada tenham bom senso e que a população, mais especificamente os moradores da região, sejam mais exigentes, afinal vivemos em uma democracia.
Fagner Mendes Gava é arquiteto e urbanista
Num momento em que chuvas recordes, enchentes e deslocamentos de terra entram
para o cotidiano brasileiro, é alentador que o Programa de Recuperação
Socioambiental da Serra do Mar ganhe vida.
Hoje, o governo do Estado
coloca em prática uma iniciativa que reuniu especialistas de diversas áreas e
transformou-se em projeto inovador, mesmo frente às experiências no exterior.
Mais do que um conjunto habitacional, esta parte da Serra do Mar, na
Baixada Santista, é complexa e abriga imóveis residenciais, áreas para comércio,
serviços públicos e igrejas. A tarefa de transformá-la é um desafio e tanto.
Os pontos principais do Programa prevêem deslocamento dos moradores para
habitações legalizadas e recuperação de áreas degradadas.
O IPT
(Instituto de Pesquisas Tecnológicas) participou ativamente nos elementos
técnicos envolvidos no projeto. O IPT avaliou as condições geológicas e
geotécnicas para escorregamentos de terra, indicando os trechos mais críticos,
onde era obrigatória a remoção de pessoas e apontou os setores de médio e baixo
risco que serão recuperados com projetos de reurbanização. Esses estudos deram
subsídios à tomada de decisão da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional
e Urbano) em relação às necessidades de habitações regulares em outras áreas
para a realocação das famílias e a definição das recomposição vegetal das áreas
de remoção. O IPT também propôs uma metodologia para a etapa inicial de
desconstrução das moradias, levando em conta critérios para reciclagem dos
materiais construtivos.
À primeira vista, desmontar uma habitação parece
algo simples. Mas não em uma região com as peculiaridades da Serra do Mar. São
necessários especialistas em estruturas, pavimentos, infraestrutura, sistemas
construtivos, materiais de construção, madeiras e análise de risco
geológico-geotécnico. Toda a sociedade será beneficiada com esse programa que
permitirá recuperar as áreas de preservação e será uma referência quanto ao
avanço nos indicadores de reciclagem de resíduos de construção.
João
Fernando Gomes de Oliveira é diretor-presidente do Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo
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