*atualizado às 18h01
Foto: Reprodução/Site oficial de Glauco
Ricardo Datrino
Agência BOM DIA
Os corpos do cartunista Glauco Villas Boas, 53 anos, e do filho Raoni Ornellas Pires Villas Boas, 25, serão enterrados neste sábado às 12h no cemitério Getsêmani Anhanguera, na Vila Sulina, em São Paulo. (veja vídeo com personagens de Glauco ao final da matéria)
Caixão de Glauco é carregado (Aloísio Maurício/Folha de Alphaville)
Eles foram mortos a tiros pelo estudante universitário de administração, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, conhecido como Cadu. O fato aconteceu na madrugada desta sexta-feira.
A versão oficial da polícia relata que pai e filho foram baleados pelo estudante que frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco e inspirada nos cultos do Santo Daime.
De acordo com o delegado do SIG (Setor de Investigação Gerais) da polícia Civil de Osasco, Archimedes Cassão Veras Junior, que conduz o caso, o autor do crime é considerado "problemático". A autoridade explica que houve uma discussão entre o cartunista e Carlos Eduardo por um motivo ainda desconhecido, mas que está sendo investigado.
Ao ver o pai alvejado, Raoni teria tentado socorre-lo e também acabou baleado. Segundo a perícia, foram disparados pelo menos oito tiros. Uma testemunha, conhecida como João Pedro, 32, que prestou depoimento, disse que Carlos Eduardo estava transtornado e pensava em se matar. Depois do assassinato, o rapaz fugiu em um carro. A corporação ainda não localizou o jovem, que já teve passagem pela polícia por porte de drogas.
Após os disparos, as vítimas foram socorridas por moradores e levadas ao Pronto-Socorro Albert Sabin, na Lapa, zona oeste de São Paulo, mas não resistiram aos ferimentos. Os corpos chegaram ao IML (Instituto Médico Legal) de Osasco por volta das 6h45 e foram liberados às 13h30 desta sexta. O público não teve acesso ao velório dos dois e só acompanhará ao enterro.
Reprodução/Site oficial
O delegado confirmou que o jovem era conhecido da família e frequentava o mesmo culto. Ele descartou a hipótese de assalto ou sequestro-relâmpago e afirmou apenas que houve homicídio doloso. A polícia não nega que Carlos Eduardo estaria sob efeito de drogas ou de bebidas alcólicas quando cometeu o crime.
Localizada, a família de Carlos Eduardo diz não saber onde ele está. Questionado, o delegado também não acredita que algum parente possa ter envolvimento com o crime. "Ele [Carlos Eduardo] já foi reconhecido e irá responder por homicídio. Estamos no encalço dele. Se houver participação de outros indivíduos eles serão identificados e responderão na medida da lei", afirmou.
A arma usada, uma psitola 765, não foi apreendida e está sob posse do criminoso. O autor do disparos não tem licença para portar a arma.
Segundo versão da Polícia Militar, a mulher, a enteada de Glauco, Juliana Vennis, 30, e um homem de 32, que não é da família, viram o crime e foram ouvidos pela polícia Civil. Pela manhã desta sexta, o advogado da família do cartunista, Ricardo Handro, disse que a enteada de Glauco foi rendida por três homens e, em seguida, chamou o cartunista e a mãe.
"Os bandidos tinham por objetivo levar o cartunista para fora da casa. Era um sequestro-relâmpago, com motivação ainda ignorada por nós", disse. A versão, no entanto, foi negada pelo delegado.
O velório do cartunista e do filho aconteceu na própria igreja Céu de Maria, localizada no bairro Três Montanhas, em Osasco, na Grande São Paulo, lugar onde pai e filho moravam.
De acordo com a testemunha João Pedro, Carlos Eduardo era usuário de cocaína, crack e maconha. Mas desde o primeiro semestre do ano passado deixou de frequentar os cultos da comunidade. A testemunha contou ainda que no dia 25 de janeiro Carlos Eduardo reapareceu em uma festa promovida pela igreja e teria se divertido bastante.
João Pedro contou que Carlos Eduardo queria que o cartunista fosse até a casa da família dele e anunciasse que o rapaz era Jesus Cristo.
Saiba mais
Glauco é conhecido pelas tirinhas que publicava diariamente no jornal "Folha de S.Paulo", com personagens como Geraldão, Geraldinho, Doy Jorge, Casal Neuras e Dona Marta. Glauco é irmão do também cartunista Pelicano, responsáveis pelas charges publicadas na Rede BOM DIA.
Glauco Villas Boas nasceu em Jandaia do Sul, no interior do Paraná. Ele niciou sua carreira no começo dos anos 1970, no "Diário da Manhã". Em 1977, passou a publicar seus trabalhos no jornal "Folha de S.Paulo" esporadicamente e, a partir de 1984, passou a fazer parte do quadro de funcionários do jornal de maneira definitiva.
Confira um vídeo do "Youtube" com uma série de animações do personagem Geraldão, criado por Glauco.
Comentários
O suposto matador de Glauco e do filho dele é um impostor: Jesus Cristo sou eu, e não tenho absolutamente nada com este episódio que aniquila, de vez, as personagens libertárias de um cartunista único. Coisa hilária, num mundo tão triste.
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