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SEM AULAS

Quinta-feira, 11 de março de 2010 - 00:13

Professores cruzam os braços

Greve iniciada na segunda-feira atinge cerca de 30% das escolas da rede estadual de Sorocaba

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Rosimeire Silva
Agência BOM DIA

Os alunos das escolas da rede estadual de Sorocaba já começam a sentir os efeitos da greve dos professores. Segundo levantamento da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do BEstado de São Paulo), o movimento, iniciado na segunda-feira, já atinge 26 das 86 escolas do município.

O coordenador regional da entidade, Alexandre Tardelli Genesi, diz que deste total 18 estão com as atividades totalmente paradas e as demais têm pelo menos 50% de adesão dos professores.

A previsão do sindicato é de que nesta quinta a paralisação atinja até 70% das escolas da cidade. Segundo Alexandre, além dos professores, o movimento inclui também os diretores e supervisores de ensino.

Nas escolas onde a adesão à greve é parcial, os alunos estão tendo que ser reunidos em turmas devido a ausência dos professores. Na escola Hélio Del Cístia, na Vila Helena, 70% dos professores deixaram de comparecer às aulas, mesmo assim os alunos não foram dispensados. A mesma situação ocorreu na escola Francisco Eufrásio Monteiro, no Barcelona, onde apenas cinco dos 17 professores do período da tarde não aderiram à greve.


Pais reclamam
Nas portas das escolas onde as aulas continuam, os pais se mostram desinformados sobre a greve. “Ninguém diz nada se vai ter greve ou não. Mas espero que não parem, pois isso prejudica demais os alunos, que depois não conseguem recuperar esse tempo perdido”, diz a dona-de-casa Luciane Rodrigues, 37 anos.

Fábio Augusto de Matos, 15, estudante da escola Antônio Vieira Campos, do Júlio de Mesquita, já ficou em casa nesta quarta. “Quem sai perdendo é sempre o aluno”, reclama o pai José Lúcio de Matos, 60.

Estado diz que greve é política
A Secretaria da Educação não divulga balanço regional de adesão à greve, mas informa que no Estado apenas 1% dos 220 mil professores aderiram ao movimento. Em nota, a Secretaria atribui a mobilização como “movimento político” e informa que os professores em greve terão os dias parados descontados dos salários.

A categoria reivindica aumento de 34,3%. Além da Apeoesp, participam do movimento as entidades sindicais que representam os diretores e supervisores de ensino.

A subsede da Apeoesp de Sorocaba realiza nesta quinta, às 16h, uma assembléia para avaliação da greve na região. Nesta sexta acontece uma assembléia geral na Capital que discutirá a continuidade do movimento. O governo não encaminhou proposta.



Comentários

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    22/03/2010 14:00
    Aline - 44 - Professora de Matemática
    Hoje, 22/3, sei que o governo não vai pagar Bônus para 38 940, 17,7% dos professores. Os professores que vão receber mais do que 8 mil reais somam 5060 professores, tudo isso, em um universo de 220 000 professores. Se ficar "um dia" sem veicular seu programa de groverno em emissora cara de TV, talvez daria para pagar pelo menos 1000 reais para esses professores ativos que não receberão Bônus. Se ficar uns três dias sem propagandas, daria para incluir os aposentados. Se eu receber 8 mil, que é muito difícil, será que devo considerar como o melhor professor do mundo? Se eu não receber, devo me enterrar dentro de um buraco, diante dos colegas que receberam? Nossa! Quando eu aposentar essa agonia acaba, pois vou ficar fora mesmo. Esse benefício acaba com a gente, diferenciando, gerando conflitos entre a gente. Esse Bônus maldito foi pago pela primeira vez em 99 e o governo faz propaganda dele até hoje, como se fosse uma coisa boa, benefício antigo, rejuste antigo. Isso é rejuste do passado que exclui muitos agora. Acaba com isso governador! Deixe sorteio para só "nota fiscal paulista", que o povo é bem mais fácil de enganar.
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    17/03/2010 14:02
    Fernando - 44 - Professor desde 1995
    Professora Luciana Cristina, 29 anos arrasou em vosso comentário. Muito bom professora! Esse negócio de reajuste real de salário de 1% em 3 anos de mandato é inaceitável. Em 10 anos tivemos apenas 15% de aumento real. O governo tem problema com professores faltosos? Eu assim como muitos colegas frequentam a sala de aula sim. Por favor senhor governador, pague esse bônus certinho em 25 de Março (data que Paulo Renato anunciou em um jornal) e exclua esse bônus de uma vez por todas, gratificações, licença prêmio, pois isso só favorece os ativos! Bônus é uma loteria! 99,9% dos professores não ganham nem 2 vezes o seu salário. Quando recebem, já estão afundados em dívidas. Precisamos de aumento real de salário, um salário de nível superior. O maior problema a ser solucionado para o fim da greve é esse, professores! Não adianta colocar um monte de problemas para serem solucionados que isso não resolve! Falar mal do governo ou partido também não resolve. Usar o poder da palavra para mudar a mentalidade do povo sobre política também não resolve. Os professores têm que dizer a verdade e cabe ao povo julgar quem será o seu melhor candidato. Precisamos negociar, para que o nosso movimento não fique com cara de movimento político. Sou um professor sem partido político e entendo que todos os funcionários públicos deveriam ser. Estou em greve (oficialmente, com requerimento protocolado), defendendo os direitos de meus alunos para que essas aulas sejam repostas na forma da lei. Muitas escolas estão paradas mas seus professores não protocolaram. De acordo com a lei, a diretora da escola pode colocar substituto e isso não é greve. Vamos criar coragem para que essa greve não acabe em pizza, como muitas outras em anos anteriores.
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    12/03/2010 10:51
    LUCIANA CRISTINA - 29 - PROFESSORA
    Olá leitores! Somos professores que aderiram à greve. Nunca fomos a favor da greve, pois sabemos o quanto a escola e os alunos são prejudicados. No entanto, nossa decisão pela greve neste momento teve várias razões. Tentaremos explicar alguns. Estamos presenciando absurdos na escola pública, vemos o dinheiro público sendo mal utilizado e o descaso que o governo tem com o aluno e com o professor. Há tempos tentamos conversar e colocar a realidade da escola pública, mas este governo não quer ouvir, pois não interessa a ele. Por este motivo entendemos que a greve é a única forma do professor ser visto e ouvido neste momento. Estamos presenciando grande investimento em materiais, pois materiais aparecem para a população, mas nenhum investimento para o professor ou aluno. A violência é cada vez mais presente e fruto de um desajuste social, passamos mais tempo trabalhando valores e projetos para melhorar a convivência escolar e pouco tempo para ensinar as disciplinas escolares. Somos pais, mães, assistentes sociais e psicólogos, não só para os alunos, mas também para as famílias. Aliás, para muitos, somos a única referência e apoio. Sobra pouco tempo para ensinar ou estudar Português, Matemática e outras disciplinas. Atestamos que os alunos não possuem conhecimentos básicos na quinta série para freqüentar a sexta, mas a progressão leva o aluno para frente. O mesmo acontece da sexta para sétima e da sétima para oitava. Na oitava chega o Saresp e detecta o que há quatro anos anunciamos “que os alunos não possuem a base necessária” e aí somos penalizados e não a progressão, mas sim todos os professores que trabalharam com aquele aluno que não abre caderno, que não realiza deveres, que não tem pais presentes e que o conselho tutelar não deu conta, pois são muitas crianças para poucos conselheiros. O professor passa a ser o único responsabilizado e penalizado mais uma vez financeiramente, como se essa pena já não ocorresse todo mês ao receber seu salário. Conhecemos bem a idéia da Progressão Continuada e sabemos que em alguns países ela deu certo, mas estes países realmente viveram uma progressão, nós estamos vivendo um retrocesso, pois a progressão que está aí é uma política que empurra o aluno e não que lhe forneça assistência. Já que o Saresp avalia o professor através do rendimento dos alunos, vamos avaliar os nossos políticos de acordo com a evolução das questões sociais do município, do estado ou do país. Se a violência diminuir, assim como o desemprego, a inflação e outras coisas mais então eles serão merecedores de tudo que ganham. Quanto à prova que avalia se o professor merece ou não aumento, sugiro então que os políticos também sejam avaliados. A realidade da escola é muito complexa. Vemos pessoas extremamente inteligentes e especialistas na área em que atuam e que não dominam uma sala de aula, pois dar uma boa aula não é apenas uma questão teórica, mas uma questão humana. Nós não estamos lidando com bonecos, mas com seres humanos em formação e muitos deles com uma realidade dura e cruel. A prova não avalia um bom professor, mas um bom conhecedor, um bom pesquisador em uma determinada área. Esses são conceitos importantes para um professor, mas não são mais os fundamentais. Precisamos de cursos de resolução de conflitos, pois a realidade da escola é muito diferente da antiga. Esses políticos mandam e desmandam na educação sem ter a noção do que ocorre no dia a dia. É fácil responsabilizar o professor, mas não é fácil mostrar a realidade. Infelizmente não temos dinheiro para pagar propagandas na televisão e denunciar os desmandos. O governo sim tem dinheiro para mostrar ao povo tudo que ele julga estar fazendo de bom. Nós não temos nem para fazer greve e arriscarmos ficar sem salário. Aliás, muitos de nossos colegas não aderem ao movimento porque sabem que as contas não entram em greve e o que ganham não é suficiente para fazer reservas em casos de urgências. Não conseguimos ser ouvidos nem pela mídia que tanto fala sobre a importância da educação. Aliás, o que divulgam é que quando tudo anda bem, é por causa dos programas do governo e quando tudo anda mal é por culpa do professor. O pior é que a sociedade compra esta ideia, inclusive alguns professores. Outro dia um colega disse que quando não estivesse satisfeito com o estado, pegaria sua mala e sairia. Imaginem se todos os insatisfeitos resolvessem sair e não lutar para uma educação de qualidade, denunciando os desmandos e desperdícios. O que seria de nossas crianças? O que seria do nosso país? O que é ser egoísta? O que é pensar na criança? Achamos que devemos pensar mais sobre isso. Somos PROFESSORES indignados com a realidade e com o desrespeito que presenciamos!
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    11/03/2010 10:41
    Maria Paola - 45 - Professora
    Ual!!! Que salário é este que no final de carreira podendo chegar até R$ 6.270,00, segundo o atual Sr Secretário da Educação do Estado de São Paulo e ex-ministro da Educação do Brasil Paulo Renato Souza para professores com jornada de 40 horas! Gostaria que apresentassem algum professor aposentado com este salário, por favor, não cite o nome que o seqüestro é risco. Lamento pelas escolas particulares de Ensinos Fundamental e Médio porque perderão seus professores para este suposto salário de R$ 6.270,00 de aposentadoria. Pois afinal cairão no INSS e aí já sabemos! Para chegar a este salário todo professor terá que fazer muitos cursos e principalmente provas do governo para saber estão aptos a receber tão generosos aumentos como ocorreu em fevereiro deste ano. Boa sorte aos professores-candidatos e a quem mais se interessar.
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    11/03/2010 11:00
    Rosa Maria - 35 - professora
    Desculpe pais dos nossos alunos, mas esta é uma forma democrática de reivindicarmos aumento salarial. O transtorno é consequência, infelizmente, sabemos que vocês muitas vezes não têm onde deixar seus filhos. Mas tenham a certeza que as aulas terão reposição assim que houver um acordo. Lembram vocês quando as aulas foram suspensas por causa da Gripe Influenza H1N1 (gripe suína)? E as aulas foram dadas aos sábados. Então será também assim depois que a greve acabar. Quem sabe teremos uma resposta positiva do Governo do Estado Sr José Serra e secretário da educação Paulo Renato Souza na assembléia do dia 12/03/2010 nesta sexta-feira. Que Deus faça com que nossos governantes nos ouçam! Obrigada.
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    11/03/2010 13:55
    Pedro Bisso - 48 - Func. publico
    Em qualquer pais do mundo que deseje ser vitorioso;o investimento na educação vêem em primeiro lugar,como também as arêas de saúde e segurança,apesar que povo culto e povo ordeiro e prevenido . Aqui no Brasil ,e principalmente neste estado ,que se diz o mais rico do pais , isto não acontece nas arêas sociais . O governador gosta de pedágio,de obras inuteis,e inaugurar maquete;também o que pode se esperar desta politica neoliberal do PSDB/DEM; tem até o boato "que o Arruda seria o vice dele na corrida eleitoral";Haja bolso e meia.
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    11/03/2010 15:40
    Júlia Novaes De Araújo Campos - 11 - - - - - - - - - - -
    Eu acho SIM que os professores merecem um aumento, mas os únicos prejudicados dessa greve são os alunos que estão sem aulas!! Acho que essa greve deve acabar logo, e por isso estou a favor dos professores estarem em greve, por mais que eu esteja sem aula, eles estão certos !! Eu não conheço muito de política, mas por favor, NÃO votem no Serra para presidente do Brasil !!!! Obrigada ! Júlia =D
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