Luciano Guaraldo
Agência BOM DIA
Ato 1: Nokia
Theatre, Los Angeles, 20 de maio de 2009. A população dos Estados Unidos para na
frente da televisão para acompanhar a final do “American Idol”, o programa de
maior audiência do país. De um lado: Kris Allen, o bom garoto, tímido e
comportado. Do outro: Adam Lambert, extravagante e de sexualidade dúbia. Após
uma votação recorde de quase 100 milhões, Kris Allen é coroado o novo ídolo
americano.
Ato 2: Nokia Theatre, Los Angeles, 22 de novembro de 2009. O
palco é o mesmo, mas a ocasião é outra. Para encerrar o American Music Awards,
um dos prêmios mais importantes da indústria fonográfica, Adam Lambert é
convocado. Ainda extravagante, mas já assumidamente homossexual, Lambert toma o
palco. Beija o seu tecladista, coloca as mãos na virilha de uma dançarina e
simula sexo oral em outro. O público norte-americano, conservador e em choque,
reclama. Adam é o assunto do momento. Kris Allen, ídolo coroado, nem é citado na
mídia.
Embalado pela polêmica apresentação, Lambert coloca nas lojas o
álbum “For Your Entertainment”. Vende 198 mil cópias na primeira semana e
estreia na terceira posição da Billboard. Uma semana antes, Allen com 80 mil
cópias, entrava nas paradas em 11º.
Os Estados Unidos escolheram o ídolo
errado? Difícil dizer isso de um programa que, em nove temporadas, conseguiu
emplacar apenas duas vencedoras – Kelly Clarkson e Carrie Underwood. Fato é que
Adam Lambert soube explorar a fama alcançada no reality, e se associou às
pessoas certas na hora de produzir seu disco.
Aliás, o que não falta em
“For Your Entertainment” são boas colaborações. Lady Gaga, Pink, Ryan Tedder (do
OneRepublic) e Rivers Cuomo (do Weezer) são apenas alguns dos artistas que
compuseram para o álbum. Confiante nas parcerias, Lambert se atira de cabeça às
gravações.
Assim, libera seu lado glam na faixa que abre o disco, “Music
Again”, composta por Justin Hawkins (do não menos glam The Darkness) e, entre
vocais agudos e sintetizadores setentistas, Adam entrega uma das faixas mais
divertidas da música pop nos últimos anos.
Em seguida, alterna músicas
dançantes, como a faixa-título e “If I Had You”, com outras mais reflexivas,
como a poderosa “Whataya Want From Me” (composta por Pink) e a operesca “Soaked”
(de Matthew Bellamy, do Muse).
Se, em um ano de carreira, Lambert já
conseguiu construir seu nome e sua identidade, fica a expectativa do que ele
ainda pode aprontar. Talvez vencer o “American Idol” não seja necessário para
quem nasceu para ser ídolo.
RESENHA DA SEMANA
Fora da
tomada
Há 12 anos independente, o Autoramas chega com CD, DVD e link
(o disco pode ser baixado pelo Álbum Virtual da Trama), com seu “MTV Apresenta
Autoramas Desplugado”. O trabalho é o registro do show do dia 29 de junho de
2009, no Rio. O power trio de Gabriel Thomaz (vocal e guitarra), Bacalhau
(bateria) e Flávia Couri (baixo e voz) dá conta sozinho dos arranjos acústicos
paras as 15 músicas.
Há ainda algumas participações: às vezes
acertadas, como Humberto Barros (“Hotel Cervantes”) e às vezes esquisitas, como
Frejat (“Sonhador”). No set list, há também canções tiradas do baú, como
“Galera do Fundão” – da época em que o vocalista fazia parte do Little Quail and
The Mad Birds. O rrrock (jargão conhecido da banda) continua lá, mesmo com a
guitarra fora da tomada. (Camila
Turtelli)
SUBTERRÂNEO
Moda no mundo atual é
comunicação
Lady Gaga usa um chapéu em forma de lagosta para jantar
e o mundo tenta decifrar qual é a charada da vez inventada pela cantora
norte-americana, conhecida por seus figurinos extravagantes. Talvez a resposta
seja “Ei, eu estou aqui” ou “Protejam as lagostas”. Para moda, o que importa é
que a roupa é o meio de comunicação escolhido pela cantora para mandar sua
mensagem, da mesma forma que ela usa a música.
O papel da moda hoje passa
longe do básico da utilidade, pulsa pelas molas da economia mundial, se diverte
nas definições da individualidade, ao mesmo tempo em que consolida tribos, mas é
essencialmente comunicação.
Os ícones da modernidade falam por suas
roupas ou pela sua segunda pele, como o termo definido pelo filósofo canadense o
canadense Marshall McLuhan. É uma armadura cheia de signos. Não é à toa que
mulheres pescadas no mundo da política como Michelle Obama e a primeira dama da
França, e ex-modelo, Carla Bruni vão para as capas das revistas e ganham
admiradoras pelo mundo.
A indústria do vestir fala sobre economia quando
as roupas de Reinaldo Lourenço entram nas araras da C&A e Rei Kawakubo tem
um nicho nos departamentos da H&M. O recado é claro: o luxo precisa ser
acessível em tempos de crise mundial. Tsunamis, aquecimento global e a Edun vira
a primeira marca eco de alto luxo no mercado. A moda está na sociedade como um
mass media difundindo cultura, arte e capacidade de gerar negócios.
(Camila Turtelli)
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