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08/03/2010

Muito além de ganhar

Muito além de ganhar

Luciano Guaraldo
Agência BOM DIA

Ato 1: Nokia Theatre, Los Angeles, 20 de maio de 2009. A população dos Estados Unidos para na frente da televisão para acompanhar a final do “American Idol”, o programa de maior audiência do país. De um lado: Kris Allen, o bom garoto, tímido e comportado. Do outro: Adam Lambert, extravagante e de sexualidade dúbia. Após uma votação recorde de quase 100 milhões, Kris Allen é coroado o novo ídolo americano.

Ato 2: Nokia Theatre, Los Angeles, 22 de novembro de 2009. O palco é o mesmo, mas a ocasião é outra. Para encerrar o American Music Awards, um dos prêmios mais importantes da indústria fonográfica, Adam Lambert é convocado. Ainda extravagante, mas já assumidamente homossexual, Lambert toma o palco. Beija o seu tecladista, coloca as mãos na virilha de uma dançarina e simula sexo oral em outro. O público norte-americano, conservador e em choque, reclama. Adam é o assunto do momento. Kris Allen, ídolo coroado, nem é citado na mídia.

Embalado pela polêmica apresentação, Lambert coloca nas lojas o álbum “For Your Entertainment”. Vende 198 mil cópias na primeira semana e estreia na terceira posição da Billboard. Uma semana antes, Allen com 80 mil cópias, entrava nas paradas em 11º.

Os Estados Unidos escolheram o ídolo errado? Difícil dizer isso de um programa que, em nove temporadas, conseguiu emplacar apenas duas vencedoras – Kelly Clarkson e Carrie Underwood. Fato é que Adam Lambert soube explorar a fama alcançada no reality, e se associou às pessoas certas na hora de produzir seu disco.

Aliás, o que não falta em “For Your Entertainment” são boas colaborações. Lady Gaga, Pink, Ryan Tedder (do OneRepublic) e Rivers Cuomo (do Weezer) são apenas alguns dos artistas que compuseram para o álbum. Confiante nas parcerias, Lambert se atira de cabeça às gravações.

Assim, libera seu lado glam na faixa que abre o disco, “Music Again”, composta por Justin Hawkins (do não menos glam The Darkness) e, entre vocais agudos e sintetizadores setentistas, Adam entrega uma das faixas mais divertidas da música pop nos últimos anos.

Em seguida, alterna músicas dançantes, como a faixa-título e “If I Had You”, com outras mais reflexivas, como a poderosa “Whataya Want From Me” (composta por Pink) e a operesca “Soaked” (de Matthew Bellamy, do Muse).

Se, em um ano de carreira, Lambert já conseguiu construir seu nome e sua identidade, fica a expectativa do que ele ainda pode aprontar. Talvez vencer o “American Idol” não seja necessário para quem nasceu para ser ídolo.

RESENHA DA SEMANA

Fora da tomada

Há 12 anos independente, o Autoramas chega com CD, DVD e link (o disco pode ser baixado pelo Álbum Virtual da Trama), com seu “MTV Apresenta Autoramas Desplugado”. O trabalho é o registro do show do dia 29 de junho de 2009, no Rio. O power trio de Gabriel Thomaz (vocal e guitarra), Bacalhau (bateria) e Flávia Couri (baixo e voz) dá conta sozinho dos arranjos acústicos paras as 15 músicas.

Há ainda  algumas participações: às vezes acertadas, como Humberto Barros (“Hotel Cervantes”) e às vezes esquisitas, como Frejat (“Sonhador”). No set list, há também canções tiradas do baú, como  “Galera do Fundão” – da época em que o vocalista fazia parte do Little Quail and The Mad Birds. O rrrock (jargão conhecido da banda) continua lá, mesmo com a guitarra fora da tomada. (Camila Turtelli)

SUBTERRÂNEO

Moda no mundo atual é comunicação
Lady Gaga usa um chapéu em forma de lagosta para jantar e o mundo  tenta decifrar qual é a charada da vez inventada pela cantora norte-americana, conhecida por seus figurinos extravagantes. Talvez a resposta seja “Ei, eu estou aqui” ou “Protejam as lagostas”. Para moda, o que importa é que a roupa é o meio de comunicação escolhido pela cantora para mandar sua mensagem, da mesma forma que ela usa a música.

O papel da moda hoje passa longe do básico da utilidade, pulsa pelas molas da economia mundial, se diverte nas definições da individualidade, ao mesmo tempo em que consolida tribos, mas é essencialmente comunicação.

Os ícones da modernidade falam por suas roupas ou pela sua segunda pele, como o termo definido pelo filósofo canadense o canadense Marshall McLuhan. É uma armadura cheia de signos. Não é à toa que mulheres pescadas no mundo da política como Michelle Obama e a primeira dama da França, e ex-modelo, Carla Bruni vão para as capas das revistas e ganham admiradoras pelo mundo.

A indústria do vestir fala sobre economia quando as roupas de Reinaldo Lourenço entram nas araras da C&A e Rei Kawakubo tem um nicho nos departamentos da H&M. O recado é claro: o luxo precisa ser acessível em tempos de crise mundial. Tsunamis, aquecimento global e a Edun vira a primeira marca eco de alto luxo no mercado. A moda está na sociedade como um mass media difundindo cultura, arte e capacidade de gerar negócios. (Camila Turtelli)

 

 

 

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