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Ataca, Severino

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Fabiano Alcântara
Agência BOM DIA

Criada em 1933, a Orquestra Tabajara é a mais influente e longeva banda brasileira de jazz e música popular. “Apenas” tal fato, justificaria ter sua história contada, mas “Orquestra Tabajara de Severino Araújo – A Vida Musical da Eterna Big Band Brasileira” (Companhia Editora Nacional), de Carlos Henrique Coraúcci, vai além do papel de preencher uma lacuna, é um livro pontuado pelo rigor histórico e por histórias divertidas.

Em seu favor, o autor contou com o fato de a maior parte dos personagens da história estarem vivos e terem uma memória prodigiosa e interesse em contá-las. Carlos, escritor e memorialista nascido em Franca, é autor também de “Um Show de Rádio – a Vida de Estevam Sangiardi” (A Girafa) e organizou “Histórias... que a história não contou – fatos curiosos em 60 anos de rádio e TV”, de Paulo Machado de Carvalho (Companhia Editora Nacional).

O livro se junta a um movimento de redescoberta da Tabajara. Nos últimos anos, a orquestra voltou a ocupar espaço na mídia e continua animando bailes, talvez sem a mesma pompa do passado, mas ainda com uma sonoridade muito próxima da que alcançava praticamente todo Brasil na era de ouro do rádio, em que o centro de gravidade eram as rádios Tupi e Nacional.

Seu auge talvez tenha ocorrido no final dos anos 1940, quando a grande Elizeth Cardoso e o cantor Jamelão eram crooners, ou em 1951 com Tommy Dorsey se curvando ao pernambucano no auditório da Tupi, quando após uma disputa entre a banda do brasileiro e a do lendário band leader, a maior quantidade de palmas foi para a Tabajara e o norte-americano vaticinou: “Severino, you’re terrible, as arranger or musician" (Severino, você é terrível, como arranjador e músico”.

Para Paulo Moura, herdeiro de Sebastião de Barros, o K-Ximbinho, lendário  compositor, arranjador, clarinetista e saxofonista da Tabajara, foi a orquestra que trouxe modernidade para a música brasileira, com arranjos mais “agressivos”, que mudaram a sonoridade arredondada e suave que dominou o final dos anos 1940.

Prodígio
Severino, nascido em 23 de abril de 1917 em Limoeiro do Norte (PE), desde criança era capaz de tocar todos os instrumentos de sopro e fazer arranjos engenhosos de frevo, xotes, valsas e dobrados. Prodígio, aos 8 anos – aquele que viria a ser compositor do choro clássico “Espinha de Bacalhau” – tomava a lição dos músicos da banda do pai.

Em 1936, ano em que entrou para a banda da Polícia Militar mudou-se para João Pessoa e conheceu o som de Tommy Dorsey, Benny Goodman, Count Basie e Duke Ellington. “Eu não sabia o que era jazz. Quando ouvi fiquei maluco”, recorda.

No ano seguinte, foi para a rádio Tabajara, de onde vem o nome da orquestra clássica de hot jazz em que os músicos se vestem com a mesma roupa, tocam atrás de uma bancada com as iniciais da banda e se levantam na hora dos ataques de metais.

“Meu professor foi Benny Goodman. As rádios compravam os discos e os arranjos vinham junto, estudei assim”, lembra Araújo.

A Tabajara, que já existia antes de Severino, acompanhou cantores como Francisco Alves, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Aracy de Almeida.

Se você encontrar uma big band por aí com repertório de jazz e música brasileira, algo que voltou a se tornar comum nos últimos anos, com certeza eles deverão algo para o antigo clã, hoje sob direção do maestro Jaime Araújo. Com sorte, você ainda pode requebrar em um baile ao som da Tabajara. Aos menos afortunados, cabe a consolação de ler o livro e ouvir os discos.

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